De todas as histórias que ouvimos na nossa infância, muitas remetem para o nosso imaginário, para a construção dos nossos sonhos como alicerce mental na definição da nossa Identidade como cidadão ativo, participativo e interventivo numa sociedade em constante mutação. As exigências sociais, consubstanciadas por medidas económicas avassaladoras e penalizadoras do substrato operário que corporiza a classe média, obrigam a que os decisores políticos mudem radicalmente o seu “modus operandi”. Não podemos continuar “amarrados” ao deixa andar, como se duma fatalidade se tratasse. O mundo digital, alcandorado ao advento da Inteligência Artificial, veio cavar mais o fosso entre o que é real e o que é virtual.
As fake news e a desinformação institucional têm sido, recorrentemente, utilizadas por alguns partidos para se posicionarem na vanguarda da defesa das populações. Criam expectativas nas pessoas, avançam com soluções milagrosas saídas do pote mágico de um Druida imaginário algures instalado numa floresta vanguardista ao alcance de muitos poucos aventurados. Os discursos populistas cativam a franja social que se revê nesses líderes encapotados, quais lobos sedentos de PODER, trajando roupas de cordeiros mansos. Fazendo referência a uma das Fábulas de Esopo:
O Rei dos Macacos e dois Homens Dois companheiros que caminhavam juntos pela floresta, acabaram por se perder. Depois de andarem muito, chegaram à terra dos Macacos. Foram logo levados ao rei, que, mal os viu, lhes perguntou: — Na vossa terra e nessas que atravessastes, o que se diz de mim e do meu Reino? Respondeu um dos homens: — Dizem que sois um grande Rei de gente sábia e culta. O outro, que gostava de dizer a verdade, respondeu: — Toda a vossa gente são macacos irracionais, logo o rei também é um macaco. Ouvindo isto, o Rei ordenou que matassem este, e que ao primeiro oferecessem presentes e o tratassem muito bem.
Dizer a verdade, por muito inconveniente que seja, é o que nos mantém de cabeça erguida, de consciência tranquila e convictos das nossas opções. Mesmo que tais atitudes nos provoquem a “morte pública”. Daí que o slogan do JPP “EM FRENTE, SEM MEDO” deve ser ecoado aos quatro ventos como uma lufada de ar fresco, de esperança e de credibilidade da política. O Juntos pelo Povo posiciona-se no cenário partidário como uma verdadeira força, alicerçada por gente competente com provas dadas nas suas áreas de intervenção. Porque isso de ser político não é hereditário nem hierarquizado como se uma Monarquia sem coroa. Político não é profissão! Estar na política é consequência daquilo que se dá e, sobretudo, das ações e decisões tomadas. Porque nem sempre quem está no Poder é dono da verdade e a humildade em aceitar sugestões da oposição deve ser vista como um sinal de colaboração institucional. Em Democracia, o mais forte não é o que mais resiste… o mais forte é aquele que, fazendo uso das suas responsabilidades governativas, adequa e reconhece as medidas dos outros partidos e promove mecanismos que favoreçam o bem-estar do Povo. Até porque todos somos importantes e úteis na sociedade. Sejamos grandes ou pequenos, de alguma forma ganhamos protagonismo. Tal como nos ensinou La Fontaine numa das suas Fábulas:
Certo dia, estava um Leão a dormir a sesta quando um ratinho começou a correr por cima dele. O Leão acordou, pôs-lhe a pata em cima, abriu a bocarra e preparou-se para o engolir. — Perdoa-me! — gritou o ratinho. — Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim? O Leão ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir. Dias depois o Leão caiu numa armadilha. Como os caçadores o queriam oferecer vivo ao Rei, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportarem. Nisto, apareceu o ratinho. Vendo a triste situação em que o Leão se encontrava, roeu as cordas que o prendiam. E foi assim que um ratinho pequenino salvou o Rei dos Animais.
Todos precisamos uns dos outros. A soberba e a sobranceria nunca deram bons frutos na “árvore social” e assiste-se a uma Madeira a duas velocidades onde os ricos são mais ricos com a bênção do Governo Regional e os pobres (classe média) cada vez mais endividados. Urge definir nos rumos assentes na verdadeira política social. Na solidariedade entre todos os intervenientes políticos que queiram agir de boa-fé, contribuindo para um planeamento responsável, coletivo e ao serviço do Povo.
Já que este texto nos remete para as Fábulas, tomei a liberdade de criar a minha própria Fábula sobre a política madeirense:
Certo dia um burro decidiu convencer os animais da Quinta de que era capaz de fazer o papel do Leão e ser um verdadeiro Rei da Selva. Com uma prosápia eloquente e convincente, levou um grupo de galinhas e perus com ele até à selva, convencidos de que o burro teria sucesso nessa sua aventura. Chegados à Floresta, o burro aproximou-se do Leão e disse-lhe que, a partir de agora, seria ele o Rei da Selva. Surpreendido com tamanha afronta do burro, o Leão rugiu e impôs um desafio: quem dos dois tirasse mais água do poço seria o vencedor. O burro, ávido do Poder, nem reparou que o balde não tinha fundo. Sempre que baixava a corda, o balde vinha sempre vazio enquanto que o balde do Leão vinha cheio. O burro, vendo-se derrotado, baixou as orelhas e regressou à Quinta juntamente com os seus apaniguados.
No panorama político madeirense tem de haver discernimento para não usarmos baldes sem fundo. Porque a “água” escasseia e são sempre os mesmos a fazer uso dela. É preciso que haja uma distribuição justa para que todos possam beber. Porque nem todos os poços têm água e nem temos como saber quais são os poços secos.
José Carlos Mota
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