O Insular Europeu

Para além das distinções culturais e políticas, é possível encontrar, entre diferentes realidades regionais europeias, uma experiência comum: uma certa insularidade, simultaneamente física e imaginária.

 Foi através de uma visita, em contexto de Erasmus, que compreendi que, apesar de existirem regionalismos com histórias, culturas e reivindicações distintas, muitos partem de uma condição semelhante: uma espécie de insularidade subjetiva perante os palcos nacional e internacional.

 Esta reflexão levou-me inevitavelmente a pensar no caso da Madeira. Não é apenas a Madeira que está rodeada pelo mar. Também a própria Europa, no palco internacional, se encontra entre grandes potências que, pela sua dimensão e influência, condicionam o espaço de decisão global. É através da união que a Europa procura preservar a sua voz e defender os seus interesses. 

 Talvez seja precisamente neste exemplo que nós, madeirenses, possamos encontrar uma reflexão sobre a nossa própria condição. Se a união permite que diferentes países europeus, com histórias, culturas e interesses distintos, encontrem uma voz comum perante o mundo, também uma região insular como a Madeira pode beneficiar da capacidade de unir esforços em torno dos seus interesses e da sua identidade. 

 Naturalmente, as condições desta “insularidade” são distintas. A insularidade europeia não é a mesma que a insularidade madeirense, tal como a realidade de cada região europeia não é igual à nossa. Mas existe um ponto de contacto: a distância em relação aos centros onde muitas das decisões são tomadas.

 Nem sempre a voz local é verdadeiramente ouvida no palco nacional, tal como nem sempre a voz nacional consegue afirmar-se no palco internacional. Para a Madeira, esta condição é mais evidente. A distância geográfica transforma-se muitas vezes numa distância política e, por vezes, numa distância de perceção. Aquilo que é evidente para quem vive numa ilha pode permanecer invisível para quem olha para ela a partir do continente.

 É neste contexto que a insularidade deixa de ser apenas uma condição geográfica. Torna-se também uma condição política e cultural. A Madeira é uma região europeia, portuguesa e atlântica, mas é também uma realidade com uma identidade própria, moldada pela sua história, pela sua geografia e pela relação particular que mantém com o país e com a Europa.

 O desafio está, por isso, em transformar essa condição insular numa força. Em vez de aceitar a distância como inevitável, importa construir pontes, afirmar a nossa identidade e garantir que a voz da Madeira seja ouvida onde as decisões são tomadas.

Vítor Tiago 

Observação:

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