Por estes dias, tive a oportunidade de conhecer a Associação OLHO.TE, que muito mais que uma associação é um Projeto. Um projeto de Reabilitação/Intervenção/Inclusão/ Participação Ativa e Cidadania, que foi fundado no Bairro da Nazaré, por Hugo Castro Andrade, no âmbito do seu Mestrado em Teatro e Comunidade e que tem como objetivo principal acabar com o estigma existente em torno dos bairros e fomentar a inclusão social e práticas de cidadania.
O trabalho desenvolvido por esta associação é, sem dúvida, um trabalho de referência a nível regional e nacional que vem, de uma vez por todas, mostrar o quanto tudo está a mudar. Sem qualquer dúvida, este projeto só poderia vingar nos tempos que correm.
Hugo teve a coragem de criar uma associação que ajuda e ensina as pessoas a serem a cada dia melhores pessoas, melhores vizinhos, melhores cidadãos. E isso, para muitos, significa o fim do poderio. Durante dezenas de anos, tentou-se, a todo o custo, combater precisamente isto: o despertar do povo para a cidadania, o despertar do povo para os seus direitos e para o seu poder. A pouco e pouco, Hugo tem ensinado os seus vizinhos de bairro, para além de questões como o respeito pelo seu espaço e pelo seu vizinho, o orgulho no seu bairro, o cuidado com o bem comum, para além de também de ensinar a ler e a escrever e de fomentar o acesso e interesse pela cultura.
Mas a Olho.TE esforça-se por mais: esforça-se por ensinar a cidadania ativa e participativa. Nesse âmbito, tem levado à sua sede os principais candidatos às próximas eleições autárquicas no Funchal. Enquanto cidadã participativa e atenta ao que se passa na minha freguesia não poderia deixar de estar presente. Porque o Bairro da Nazaré é uma das centralidades da freguesia; porque, desde os tempos idos de escola, quando frequentava a Gonçalves Zarco, por tantas vezes palmilhei aquele Bairro no caminho que teimosamente percorri, por diversas vezes a pé, entre a escola e a minha casa, no Pico do Funcho; porque ainda hoje todos os dias atravesso mais de uma vez aquele Bairro, frequento a Igreja, o Centro de Saúde; porque este Bairro vai muito para além dos seus habitantes; senti vontade de juntar-me a este encontro de reflexão sobre a Nazaré e o que assisti foi muito para além daquilo que me levou até lá.
O que assisti chama-se Democracia, chama-se Cidadania, que se revelou através de uma conversa olhos-nos-olhos, entre quem governa, neste caso, Paulo Cafôfo, e quem elege. Uma conversa sem barreiras, sem autoritarismo, sem distância, onde se pensou o Bairro e se explicou aquilo que se pode e não pode fazer, aquilo que é competência de uns e competência de outros.
É nesta dinâmica que me revejo, neste olhar-nos-olhos de quem elege, neste diálogo aberto e direto. Esta é a política que eu defendo, de proximidade, de partilha, de diálogo. Esta tem sido, desde sempre, igualmente, a postura do Juntos pelo Povo.
Ao Povo já não basta o pão na boca em troca de um voto, o Povo necessita de muito mais, necessita que tantos outros Hugos lancem as suas ideias e olhem para o seu Bairro, para a sua Rua, para o seu Beco, porque uma cidade é feita por pessoas que vivem e fazem viver a cidade.
CÁTIA PESTANA
Arquivista



