É conhecida a dificuldade do Serviço Regional de Saúde para realizar cirurgias em número suficiente, permitindo que sejam escrupulosamente respeitados os tempos máximos previsto para um doente em lista de espera. Esta situação tanto se verifica para com a generalidade dos utentes em espera como especificamente para os menores de idade. A informação existente, essencialmente proveniente dos matutinos, estima em cerca de 1000 crianças em espera para cirurgias de diferentes especialidades no Serviço Regional de Saúde.
As crianças crescem depressa e não podem estar na mesma lista de doenças graves e incapacitantes, nem fazer parte de um problema financeiro. A verdade é que se não forem operadas com a devida rapidez acabam por ficar com sequelas, muitas vezes, para as suas vidas. Há milhões de euros para enterrar em Sociedades de Desenvolvimento permanentemente falidas, para o povo pagar posteriormente, mas para as questões de saúde são apenas uns trocos para que a máquina não pare mas também não evolua.
O Governo Regional tem sido incapaz de esclarecer de forma cabal a dimensão, características e estratégia para o combate ao avolumar de doentes em lista de espera, é incapaz de assumir publicamente em que lista se encontram as crianças na mesma situação, escudando-se na maioria parlamentar que impede os profissionais de saúde de virem à Assembleia Regional dar informações sobre essas matérias. Se por um lado afirmam não existir crianças em listas de espera, por outro são desmentidos vezes sem conta em testemunhos de pais nas redes sociais. Perderam o controlo. Já não calam ninguém a não ser os seus lacaios.
Uma mãe ansiosa pedia ajuda numa rede social. O seu filho aguardava uma cirurgia para retirar as amígdalas e adenoides. Falavam-lhe os experimentados que o tempo de espera era de 3 a 4 anos. Foi assediada pelos médicos a ir fazê-la no privado pela módica quantia de 1500€. O que não faz uma mãe por um filho? Outra senhora afirmava que a sua criança era referenciada mensalmente pelo serviço de urgência pediátrica devido a estar constantemente a tomar antibióticos por causa de amigdalites recorrentes mas isto deve ter sido um sonho pois para o Governo estes testemunhos não existem nem constam do Programa de Recuperação de Cirurgias.
O Governo Regional remete-se ao silêncio quando se pede que não sejam excluídas do programa de recuperação da lista de espera as crianças em espera de cirurgia no serviço público de Saúde, remete-se ao silêncio quando se pergunta quais as especialidades que não estão contempladas e quantas crianças estão em lista de espera, paralelamente às consequências psicológicas, para além das clínicas, que as mesmas sofrem pela demora do encaminhamento para cirurgia.
No fundo, uma questão preocupante para os Centristas e toda a Esquerda. Quanto à Direita, assobiam para o lado e ainda dão umas gargalhadas em plenário. Só é cego aquele que não quer ver. É urgente corrigir este problema de prioridades.
*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 19-01-2018
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