Medicina Nuclear e o futuro da Saúde na Madeira

Sendo médico especialista em Medicina Nuclear desde há 5 anos na Região Autónoma da Madeira (RAM) sinto-me responsável por tentar esclarecer alguns pontos sobre esta especialidade, que tem uma enorme importância na avaliação e seguimento dos utentes oncológicos.

Para se ter uma ideia do que é esta especialidade, passo a explicar:
Trata-se de uma área da Medicina Moderna, que possibilita o diagnóstico e terapêutica de várias patologias malignas e benignas. Para isso, é usada uma substância radioativa (com dose baixa de radiação, não tóxica e sem efeitos laterais) que, uma vez introduzida no organismo do utente, vai para os sítios onde existe doença, com o objetivo de avaliar a sua extensão/função ou para tratamento de várias patologias. Na esfera do diagnóstico, esta tecnologia acrescentará valor à informação dada pela TAC (TC) e Ressonâncias Magnéticas (RM), por exemplo, mas não substitui a importância das mesmas.

As áreas de atuação da Medicina Nuclear são:
– PET/CT (Tomografia por Emissão de Positrões associada a uma TAC) – não existe, ainda, esta possibilidade na RAM. Esta tecnologia possibilita a realização de um diagnóstico muito mais sensível da extensão da doença (capacidade de deteção de doença óssea próxima dos 100% na PET/CT e 80% na cintigrafia, contra 40% da TAC, por exemplo) e, em quase todos os casos oncológicos, avalia, também, se aquela quimioterapia que foi escolhida para aquele utente será, de facto, a mais adequada para o mesmo. Uma lesão pode estar mais pequena após a quimioterapia (por exemplo!) e estar muito mais agressiva funcionalmente; daí o seu papel diferenciador! Aguardamos pelo futuro para termos uma solução deste calibre na RAM.

– Cintigrafias através do SPECT/CT (Tomografia por Emissão de Fotão Único associada a uma TAC não diagnóstica) – a Madeira tem uma instalação pública deste tipo que possui equipamentos do mais elevado nível do país. Como é oficial e público, brevemente teremos a possibilidade de efetuar vários estudos para um vasto leque de doenças benignas e malignas. Esta solução será uma realidade na RAM e os nossos utentes terão acesso, quando clinicamente indicado, a esta modalidade diferenciadora.

– Radioterapia molecular; temos, ainda, a possibilidade de realizar tratamentos, porque possuímos uma instalação com um quarto destinado a terapêuticas radio-moleculares. Brevemente, esta possibilidade será uma realidade na RAM. Nunca foram efetuados estes tratamentos na RAM; o seu funcionamento será inaugural.
– Osteodensitometria óssea: em funcionamento para o público desde março de 2014 e serve para diagnóstico e seguimento nos utentes com osteoporose e com outras doenças. Já foram efetuados cerca de 5 mil estudos.

Após esta tentativa de explanar o que é esta especialidade médica, espero que se tenha obtido uma maior clarificação sobre a potencialidade desta tecnologia da Medicina Moderna na RAM. Não podemos estar à espera do futuro, temos que ir ao encontro dele. Aqui estarei para dar a minha colaboração enquanto cidadão, para que se possibilite e se promova uma melhor Saúde na nossa Região. Ninguém é importante isoladamente! Todos devemos trabalhar em conjunto. Os resultados serão de todos e para todos! Aproveito para felicitar os intervenientes que participaram e que farão parte deste projeto – Parabéns!

RAFAEL MACEDO
Médico Nuclearista

Partilhar: