Máscaras e mascarilhas

A política nacional é pródiga em episódios que, todos juntos, seriam candidatos a integrar uma qualquer famosa série das diversas plataformas de streaming que proliferam por aí e nos entram pela casa adentro. Cada personagem adota discursos e comportamentos que nos põem a pensar sobre as reais intenções da mensagem que pretendem passar. Desde há muito tempo que assistimos a uma dualidade partidária que coloca em confronto ideológico as forças de esquerda e as forças de direita.

            A novidade, embora já gasta de tanto uso, está na promoção do extremismo que vem confundir a essência da política. Passamos do discurso popular, aquele discurso que ecoa nos ouvidos da população como elixir da salvação, para um discurso populista, aquele que se embrulha de mentiras e falsa-fé com o claro propósito de despoletar um sentimento de revolta capaz de questionar até o ar que respiramos. Vem a isso a propósito da proliferação da extrema direita em Portugal e, por inerência, nas Regiões Autónomas. Não podemos conceber nem aceitar que o radicalismo tome conta da agenda política porque uma DEMOCRACIA faz-se de equilíbrios. Não podemos ser cúmplices duma ideologia que defende o regresso ao passado, a um tempo que não desejamos que volte. A uma ditadura cujos efeitos ainda perduram na memória daqueles que a vivenciaram. E o espanto maior surge quando observamos comportamentos e ouvimos palavras de ordem de uma geração que nasceu após o 25 de abril e, consequentemente, não faz a menor ideia do que é ou foi viver em ditadura. Esta geração que professa uma ideologia arcaica, que alimenta “o monstro” e se manifesta livremente nas ruas, nas redes sociais ou nos locais de intervenção pública não se dá conta que o faz porque houve um grupo de corajosos que ousou dizer BASTA e operou uma revolução que devolveu a liberdade ao nosso país.

            Por outro lado, basta fazer um exercício de lógica tão simples para percebermos o perfil das personagens da série. São personagens dissidentes que saltaram borda fora porque não viram satisfeitos os seus egos pessoais. São personagens que, por outro lado, se banquetearam no manjar partidário e, ávidos de comer ainda mais, viram o prato ser retirado antes da refeição terminar. São personagens egocêntricas, narcisistas e usurpadoras que ignoram as regras, sobrepõem-se à ética e desprezam a moral e os bons costumes. No fundo, são personagens frustradas que adotam uma postura de subserviência ao líder na ânsia de lhes calhar uma parte do quilhão. Não se preocupam em saber a verdade, mesmo que a verdade esteja mascarada de mentira. Porque é mais fácil vestir o disfarce do que despir o preconceito. E por falar em disfarce, estamos no mês do Carnaval. O mês da folia, da diversão. É comum dizer-se que “É Carnaval e ninguém leva a mal”, mas certamente somos levados a concordar que é na submissão e no encolher de ombros que está o trunfo dos mascarados. Aproveitam-se do descontentamento para promover o seu modo de atuar. E aquele que pensa nas próximas eleições é populista, caçador de votos para proveito próprio e manipulador de sonhos. No sentido inverso temos o Estadista que tem visão e valores e que utiliza o voto para promover o bem-estar de todos os que o elegem. O economista americano Thomas Sowell refere que “Os demagogos sempre direcionaram suas mensagens aos ignorantes e desinformados. Infelizmente, hoje isso inclui muitos de nossos alunos universitários”. Há que, urgentemente, desmascarar os demagogos que povoam a política sob pena de transformarmos as novas gerações em personagens de máscaras e mascarilhas, desprovidas de autenticidade e sem identidade própria.

José Carlos Mota

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