A promessa da linha marítima do Governo PSD de Miguel Albuquerque, de ligação entre a Madeira e o continente português, não anda. Passados dois anos, e após uma consulta concertada com alguns armadores, disse o Governo PSD que é preciso subsidiar a linha. Ou seja, por outras palavras, para o Governo, a única forma de manter a promessa de retoma da linha ferry seria com o apoio do Governo da República e pelo princípio da continuidade territorial.
Todavia, o Governo PSD, na consulta efetuada aos armadores, apresentou limitações à tipologia das embarcações e à lotação de passageiros, não contemplando a isenção de taxas portuárias, pelo menos durante três anos, o que tornaria a linha economicamente mais viável. Ora, como é óbvio, o Governo de Miguel Albuquerque – obcecado que estava pela subsidiação e pela lógica de passar a batata quente para a República – não quis resolver o assunto, isentando a operação portuária.
Questiona-se por que razão este Governo PSD não praticou a isenção de taxas portuárias, pelo menos durante três anos, para a vinda de um ferry para a Madeira?
A julgar pelas próprias declarações públicas de Miguel Albuquerque na campanha eleitoral de 2015, que aproveito para relembrar – “Temos que baixar o preço dos transportes de mercadorias, temos que ter uma ligação ferry à Madeira. Vamos concretizar estes objetivos, seja contra quem for, custe o que custar” – parece certo que a versão do “seja contra quem for” já caiu por terra.
Este novo Governo PSD já não consegue enganar o Povo. A promessa da ligação marítima entre a Madeira e o continente foi do PSD. Por assunção de responsabilidades de quem venceu as eleições e um compromisso duplamente assumido por Miguel Albuquerque e pelo partido aos cidadãos, que confiaram na palavra dada.
Em momento algum foi dito que as promessas eleitorais seriam cumpridas caso a República garantisse a subsidiação da linha.
Agastado que está, este Governo é muito fraco na desresponsabilização da palavra dada. Agora, com a ajuda da propaganda escrita e visual, tenta a todo o custo passar essa responsabilidade para Bruxelas.
O Povo está atento. Já não cai nessas “armadilhas” montadas pelos gestores de imprensa.
Razão para realçarmos, em honra pela palavra dada e pela natureza peculiar da tradição oral, que “a maré está cheia (de promessas), mas o Armas não anda”!
ÉLVIO SOUSA
Deputado



