Nos últimos 20 anos, as mulheres têm ocupado em maior número os bancos das universidades e politécnicos, uma transformação fruto de muitas lutas e da democratização da escola pública, acompanhada ainda por melhores resultados académicos do que os homens. Quantidade e qualidade claramente em evidência no sexo feminino.
Não querendo arrastar as mulheres para o que a carateriza como calmas e aptas ao conformismo, perfil ideal para o estilo fabril de quase todas as nossas salas de produção em massa, ou seja, a dita educação convencional, vejo-me a questionar o que não as faz enveredar, também, pelo caminho árduo da defesa acérrima das suas ideologias políticas. Porque as têm, todos temos, apesar de alguns dizerem o contrário.
Há muito tempo que o lugar da mulher deixou de ser a cozinha, o tanque, a tábua de passar a ferro… Hoje dificilmente há tempo para esse tempo que, infelizmente, nunca deixou de ser dela. Apenas somou mais funções, tão nobres como as primeiras, ingressando em contextos profissionais em que tem de trabalhar o dobro para ser reconhecida como igual aos seus colegas homens. Uma produtividade que nem sempre se reflete no salário e que muitas vezes se resume a um elogio fugaz.
Na arena política, deixo aqui reconhecido mérito às várias mulheres que atualmente lideram partidos políticos no nosso país, às ministras que mostraram que é possível fazê-lo sem prejudicar a sua vida pessoal, às vereadoras e às parcas Presidentes de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia que mostram a este país como se gerem equipas e se cumprem objetivos.
Dez anos após a publicação da conhecida Lei da Paridade, que estabelece que as listas eleitorais para a Assembleia da República, o Parlamento Europeu e as autarquias locais devem assegurar uma representação mínima de 33% de cada um dos sexos, ainda se continua a registar uma grande maioria de listas em que as mulheres ocupam os lugares 3, 6, 9, 12,… Num mundo de homens, até se chega ao cúmulo de dizer em voz alta que esses lugares são para uma mulher. Não exatamente.
Temos atualmente o continente português e a Região Autónoma dos Açores a implementarem integralmente a Lei da Paridade em todos os seus processos eleitorais… Só a Madeira não o faz nas eleições legislativas regionais. A Assembleia Regional da Madeira tem atualmente onze mulheres num total de 47 deputados, sendo que algumas estão a ocupar o lugar de colegas seus que partiram para outras funções, ou seja, não foram eleitas diretamente.
Dá que pensar… Estaremos certos e o resto do país errado? Recordemos as diretrizes emanadas pelo Secretário-geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres: “Temos de ter paridade [entre homens e mulheres] o mais cedo possível na ONU”. E nós, por cá, somos suficientemente “superiores” para (não) assumirmos este mal necessário?
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