JPP mostrou ao Presidente da República diferenças de problemas entre jovens da Madeira e continente

A deputada e líder da Juventude do Juntos Pelo Povo (JJPP) Jéssica Teles lembrou a António José Seguro que “Portugal é um país atlântico e não apenas continental”, tendo alertando para o facto de “essa dimensão atlântica, que torna Portugal muito maior do que o pensamento centralista, não ser suficientemente valorizada”.

Na véspera das comemorações do Dia Internacional da Juventude, Jéssica Teles foi uma das jovens portuguesas convidadas do Presidente da República para o painel nacional de representantes das juventudes partidárias dos partidos com assento parlamentar, numa audição dedicada à coesão territorial e à fixação dos jovens no interior de Portugal.

Apesar de a Presidência da República mencionar apenas a fixação de jovens no interior do país, a representante da Juventude do JPP aproveitou a oportunidade para trazer ao debate uma realidade que considera não poder ser esquecida: a de quem vive numa ilha.

“Portugal não é apenas um país continental. Portugal é um país atlântico”, afirmou, sublinhando que “valorizar essa dimensão atlântica significa também valorizar a Madeira e os Açores, as suas populações e, sobretudo, os seus jovens”.

Para a dirigente da Juventude do JPP, quando se fala de coesão territorial e igualdade de oportunidades é necessário reconhecer que “nem todos partimos do mesmo ponto”. Na Madeira, salientou, “a insularidade condiciona diretamente as oportunidades dos jovens” e, por isso, “não pode ser uma nota de rodapé das políticas nacionais para a juventude”.

Jéssica Teles salientou ainda que as políticas públicas não devem procurar simplesmente “fixar” os jovens num determinado território, mas garantir uma verdadeira liberdade de escolha.

“O que defendemos é que os jovens possam escolher ficar e não o tenham de fazer por obrigação, por necessidade. Que possam sair para estudar e regressar, procurar uma oportunidade fora e, se quiserem, voltar. Que possam construir a sua família e o seu projeto de vida na sua terra”, afirmou.

Segundo a coordenadora da Juventude do JPP, “o problema não é o jovem sair, o problema é quando é forçado a deixar tudo, família e amigos, porque não encontra na sua terra condições para construir o seu futuro, e esta situação tem de ser invertida”.

Jéssica Teles enumerou as questões que carecem de soluções urgentes para resolver problemas que preocupam a juventude: habitação, emprego com remunerações justas e adequadas à formação académica ou técnica, formação contínua e um maior leque de oportunidades que valorize o mérito e não a proximidade, o cartão partidário.

“Vivemos num contexto em que os jovens enfrentam enormes dificuldades para arrendar ou comprar casa, salários que não acompanham o custo de vida e oportunidades profissionais que nem sempre correspondem às suas qualificações e competências”, sublinhou.

A mobilidade foi também uma das questões centrais levantadas por Jéssica Teles, que considera que a realidade insular exige respostas específicas.

“Para um jovem madeirense, sair da sua região para estudar, trabalhar, fazer uma formação ou participar numa oportunidade profissional significa atravessar o oceano, e isso comporta custos muito mais elevados do que para os jovens que vivem no continente”, lembrou.

Neste contexto sustentou que “a continuidade territorial não pode ser uma promessa no papel, é um direito que tem de ser assegurado pelo Estado”, tendo criticado o funcionamento do atual Mecanismo de Continuidade Territorial, que, segundo a representante do JPP, continua a colocar sobre os residentes das ilhas “o peso de adiantar o custo total das viagens aéreas e esperar semanas pelo reembolso”.

Lembrou ao Presidente da República que neste mês de agosto “há viagens entre a Madeira e o continente que ultrapassam os 600€”, reiterando a posição do JPP de que os residentes devem pagar apenas 79 euros e os estudantes 59 euros, sem terem de adiantar ao Estado centenas de euros para usufruirem de um direito constitucional. 

“Para quem vive numa ilha, viajar não é um luxo. É uma necessidade. Para estudar, trabalhar, procurar uma oportunidade ou simplesmente ter acesso às mesmas possibilidades que um jovem do continente”, afirmou.

A dirigente da Juventude do JPP apontou ainda a necessidade de criar uma alternativa ao transporte aéreo, através de “uma verdadeira ligação ferry regular de passageiros e carga entre a Madeira e o continente”.

“A continuidade territorial tem de significar a criação real de alternativas”, sustentou, explicando a António José Seguro que esta é também uma questão de coesão territorial: “Garantir que a distância geográfica não se transforma numa distância em termos de oportunidades e facultar aos madeirenses uma alternativa marítima, é simultaneamente abrir a Madeira à economia, à concorrência na mobilidade e no transporte de mercadorias, com impactos imediatos diretos na redução do custo de vida”.

O acesso ao ensino superior foi outra das dimensões abordadas na audição. Para Jéssica Teles, “um jovem madeirense não deveria ter de abandonar a sua região simplesmente porque não encontra na Universidade da Madeira a formação que pretende seguir”.

Nesse sentido, considerou “essencial rever o modelo de financiamento da Universidade da Madeira e reforçar a sua capacidade para aumentar e diversificar a oferta formativa”. Dar aos jovens a possibilidade de estudar e construir o seu futuro sem terem obrigatoriamente de abandonar a sua terra, é para a representante da Juventude do JPP uma questão de igualdade social e territorial.

No final da sua intervenção, Jéssica Teles deixou uma reflexão sobre a forma como são desenhadas as políticas nacionais para a juventude. “Quando são decididas políticas nacionais para a juventude e para a coesão territorial, estamos verdadeiramente a ter em conta as diferentes realidades do país?”, questionou.

Para a líder da juventude do maior partido da oposição, “tratar todos exatamente da mesma forma nem sempre significa tratar todos de forma justa”, uma vez que “um jovem do interior e um jovem de uma região insular enfrentam problemas diferentes, e se os problemas são diferentes, as respostas não podem ser as mesmas”, defendeu.

Jéssica Teles rejeita, assim, um país “onde os jovens tenham de escolher entre a sua terra e o seu futuro”, defendendo antes um país “onde um jovem possa escolher viver no interior, no litoral, na Madeira ou nos Açores”, e tenha condições para estudar, trabalhar, ter acesso à habitação, constituir família e concretizar o seu projeto de vida. “Coesão territorial é garantir que todos os jovens tenham oportunidades, independentemente do território onde nasceram”, concluiu.

Partilhar: