JPP contra atentado ao património secular nas ribeiras do Funchal

Os deputados do Juntos pelo Povo (JPP) consideram que a opção de betonar as muralhas de basalto das ribeiras do Funchal desrespeitam a obra secular da canalização em pedra, executada após a aluvião de 1803, por parte do brigadeiro Reinaldo Oudinot.

“O JPP apresentará esta semana um voto de protesto tendo em conta o excesso de betonização que tem acontecido nas muralhas das ribeiras do Funchal. A construção em pedra, além de ter a finalidade de proteção e segurança da cidade do Funchal, teve uma componente de integração na paisagem construída no Funchal, assumindo-se como parte integrante do património cultural e histórico da Madeira”, afirmou Carlos Costa, esta manhã, em conferência de imprensa promovida pelo Grupo Parlamentar do JPP.

O deputado do JPP salientou o papel do movimento cívico de defesa destes bens arquitetónicos, e da consequente abertura de registo patrimonial de classificação de três pontes em pedra (Ponte Nova, D. Manuel e São Paulo, como imóveis de Interesse Municipal) e lamentou que se continue a efetuar “excessivas cargas de betão sobre o pano de muralhas, sem um mínimo de cuidado pela integração patrimonial desses bens históricos”.

Carlos Costa salientou ainda que “não estão a ser respeitadas as recomendações do Estudo de Avaliação de Risco de Aluviões na Ilha da Madeira, cuja intervenção se sugeria a montante, com a retenção de inertes”.

Deste modo, pelo desrespeito pela paisagem construída e pela componente botânica que envolvia estes cursos de água, e no espírito comemorativo do Dia Nacional dos Centros Históricos que será assinalado a 28 de março (dia do nascimento de Alexandre Herculano, patrono dos centros históricos e da defesa do património), o JPP apresentará um voto de protesto contra a betonização das muralhas das Ribeiras do Funchal.

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