Já não há estrelas no céu!

Cada vez mais, assiste-se a um aumento de diversos e incontáveis tipos de poluição que caraterizam uma sociedade moderna e, por vezes, pouco ciente dos seus impactes.

A poluição luminosa é uma poluição como qualquer outra, mas com uma agravante: passa despercebida!

Este tipo peculiar de poluição carateriza-se por um mau posicionamento das fontes de iluminação, permitindo que a luz artificial seja projetada para o céu ao invés de o ser para o solo, onde é, de facto, necessária. E com isto, não queiramos interpretar este texto como uma contestação à iluminação pública. A iluminação dos centros urbanos é, efetivamente, fundamental, e necessária numa melhoria na segurança das pessoas, quer através de acidentes de trânsito quer por uma prevenção do aumento da criminalidade. O problema cinge-se ao mau e excessivo posicionamento de focos de luz artificial.

Mais recentemente, e de acordo com os dados apresentados na última semana no II Fórum da Poluição Luminosa, decorrido na ilha do Porto Santo, este município, por si só, já poupa 23 mil euros anuais e, com as alterações implementadas no âmbito do Plano de Minimização da Poluição Luminosa sobre as Aves Marinhas, em adição ao Plano de Eficiência Energética da Ilha do Porto Santo, poderá, previsivelmente, atingir poupanças na ordem dos 40 mil euros anuais. Esta poupança reflete um bom exemplo a seguir, sendo meritória esta ação transdisciplinar e de articulação entre a Empresa de Eletricidade da Madeira, órgãos públicos e organismos não-governamentais, apresentando uma redução significativa do peso da iluminação pública na despesa dos municípios, potenciando uma elevada redução de gastos, através de medidas de eficiência energética.

Estas novas medidas contribuem grandemente e refletem um exemplo de adequação à nova Estratégica 2020, com o objetivo primordial de redução, em 20%, do consumo de energia, bem como uma minimização idêntica das emissões de gases com efeito de estufa.

Mas é necessário que não se fique por aqui. O caminho é extenso e, para além, das poupanças económicas e energéticas, é crucial constatar que a iluminação em excesso exerce efeitos extremamente negativos no ambiente, designadamente nas aves (desorientadas pela luz projetada para a atmosfera), peixes, plantas (com um claro desequilíbrio nas funções de fotossíntese e polinização) e, inclusivamente, no aumento de pragas agrícolas pela sua influência no equilíbrio dos ecossistemas.

Sendo a sobre iluminação um gasto energético desnecessário, com consequências em algumas atividades de lazer e de turismo (com a astronomia, num primeiro plano), bem como na própria saúde e bem-estar humano, isso reflete, obrigatoriamente custos elevados e que, numa última perspetiva, saem integralmente das carteiras dos contribuintes.

Temos de encarar este problema com a seriedade que lhe é devida. A Energia é, atualmente, o grande dilema do nosso futuro e a melhor forma de encará-lo é com uma colaboração integrada entre as esferas privadas e públicas para identificar e gerar novas oportunidades no âmbito deste desafio sistémico.

[starbox]

Partilhar: