Em 1998, a UNESCO deixou claro que são os alunos que têm direito à Educação e não a Educação que tem direito a ter certo tipo de alunos. Se não há dúvidas de que não partimos todos do mesmo ponto, não percorremos ao mesmo tempo, nem chegaremos todos ao mesmo lugar, é evidente que a Educação não pode ter um modelo “tamanho único”, para todos.
Incluir não é colocar alunos com dificuldades em escolas que não mudaram nada, nem estão dispostas a mudar. Não é criar serviços à parte nem fazer da aprendizagem um trabalho ocupacional e divergente do currículo. A diferença deve ser vista como uma oportunidade para capacitar os alunos com necessidades especiais através de uma intervenção individualizada com vista à aplicação de um programa específico, desenvolvido pelo professor especializado, que combata o isolamento e promova a integração escolar.
A entrada na escola verdadeiramente inclusiva deve ser sinónimo de um trabalho prévio de adaptações, adequações e acomodações (os 3 A’s) no sentido de desenvolver as capacidades dos alunos através de um envolvimento educativo e social onde não só é permitido o acesso mas também o sucesso educativo. Falar de igualdade de oportunidades sem a promover é pura demagogia. Hoje, contra a vontade de muitos docentes, entretêm-se alunos com dificuldades de aprendizagem em vez de se dar respostas através da diversidade de estratégias, da cooperação e responsabilidade coletiva, da gestão e disponibilização de condições e recursos necessários à efetiva diferenciação pedagógica.
Os jovens de hoje têm uma visão abrangente do mundo, mas o currículo tradicional afunila essa visão. Já Piaget defendia que o principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram. Hoje, uma escola dita regular deverá ser uma escola que acolhe todos, caso contrário incorre em…irregularidade. Não é possível desenvolver projetos de educação inclusiva sem uma forte aposta na inovação de conceitos e práticas de ensino e de aprendizagem e, acima de tudo, sem uma forte aposta num novo modelo de escola onde o desafio da inclusão é criar alternativas e compromissos sustentáveis, abrindo e consolidando caminhos alternativos.
Diz-nos o Decreto Legislativo Regional 33/2009/M, de 31 dezembro de 2009, que a inclusão educativa e social tem como objetivos o acesso e sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional, bem como a promoção de igualdade de oportunidades, a preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida pós-escolar ou profissional das crianças e dos jovens com necessidades educativas especiais. Estará a nossa região perto ou longe desta meta? O figurino “one size fits all” continuará, literalmente, a servir enquanto não se apostar no reforço de profissionais e em recursos de aprendizagem adequados às especificidades de diferentes grupos de alunos, onde se incluem, também, os rotulados de “normais”.
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