A política deveria ser a arte de servir a causa pública e não de se servir da causa pública. Em não raras vezes, questiono-me como seria a qualidade da nossa política se ela não fosse remunerada nem tão pouco portadora de tantos benefícios, isenções e regalias, seria, digo-o convictamente, uma atividade desertificada, mas com muito, mas muito mais qualidade, isto porque, apenas os verdadeiros políticos, interessados no bem-estar comum, com respeito pela coisa pública, permaneceriam a exercer as suas funções.
A ambição desmedida, a irresponsabilidade para com o que nos foi confiado e a ganância do querer sempre mais, inclusive o que não é nosso, destruíram a essência da coisa e mais não se fez do que descredibilizar um tão antigo e nobre ato da nossa identidade, uma forma de colocar o nosso melhor ao serviço de todos.
Os exemplos são muitos, recordo os sucessivos chumbos na Assembleia Legislativa da Madeira, das propostas do Juntos Pelo Povo, propostas que visavam o supremo interesse das populações, mas que não interessavam à maioria dos nossos deputados, porque perderiam direitos e regalias, que acham eles, serem direitos inalienáveis, nem tão pouco satisfaziam os grandes interesses económicos, dois exemplos são fáceis de dar, ou até três, comecemos pelo regime de exclusividade dos deputados, pela ligação marítima entre a ilha e o continente e acabemos no subsídio de mobilidade, só para não falar da desgraça do setor da saúde, porque para isso, seriam precisos cinco ou seis artigos, tanta é a vergonha da situação.
Como diria Gandhi, uma das coisas que destrói o ser humano é uma política sem princípios. Infelizmente, é essa mesma política que reinou nas últimas décadas, mas uma coisa é certa, no dia que o povo abrir os olhos, essa classe de políticos, não mais conseguirá dormir.
ANDREIA GOUVEIA
Estudante
Observação:



