Higiene, Infeções e Resistências

O Dia Mundial da Higiene das Mãos e Controlo de Infeção e Resistências aos Antimicrobianos é celebrado um pouco por todo o país através das mais diversas iniciativas, promovidas quer pelas instituições de cuidados de saúde primários quer pelos hospitais, clínicas e outros prestadores de serviços.

Este ano, a Organização Mundial de Saúde centrou a abordagem na Campanha SAVE LIVES: Clean Your Hands, no problema gradual das resistências aos antimicrobianos e na influência das boas práticas em higiene das mãos, neste combate duradouro perante um inimigo invisível mas fortemente presente. Em Portugal, o respetivo programa de prevenção alargou o âmbito deste evento com vista a promover todas as Precauções Básicas de Controlo de Infeção no seu conjunto, indo além da promoção da higiene das mãos.

Na verdade, nunca é demais sensibilizar as pessoas que visitam os doentes internados e alertar os profissionais para a importância da higiene das mãos e das boas práticas na prevenção das infeções associadas aos cuidados de saúde, com particular atenção para a prevenção da infeção no local cirúrgico, essencial para a segurança do doente.

No ano transato, a Madeira associou-se à iniciativa internacional e nacional STOP Infeções, em que mais de 10 milhões de profissionais de saúde trabalham em instituições de saúde empenhadas em melhorar a infeção associada aos cuidados de saúde ao doente internado. Certamente, e “sem fugir com o rabo à seringa”, hoje alguém fará o ponto da situação desse esforço conjunto, que visa reduzir em 50 por cento todas as infeções hospitalares, conforme perspetivou o ex-Secretário Regional da Saúde, Dr. Faria Nunes.

Confesso que tenho sérias dúvidas se, num Sistema Regional de Saúde onde falta de tudo, estejamos a cumprir com todos os procedimentos de vigilância epidemiológica de forma contínua. Morrem, no nosso país, doze pessoas por dia devido a infeções hospitalares, mais do que aquelas que morrem em acidentes de viação. Contudo, estes dados, como tantos outros cá na região, são alegadamente difíceis de calcular, como consta das declarações proferidas esta semana pela coordenadora local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistência aos Antimicrobianos do SESARAM.

Facilmente se compreende esta e outras omissões de informação quando não se conhece o Plano Estratégico para a Saúde de quem nos governa, levando-nos a questionar se subsiste realmente algum. O que sabemos é que existe uma desordem total, problemas por todo o lado, insatisfação geral, listas de espera infindáveis por resolver, onde operações de marketing, comunicados e conversa fiada já não disfarçam a incapacidade para controlar o setor da Saúde. Já dizia o povo, quem tem unhas é que toca guitarra. Então, deixemos tocar quem sabe.

PATRÍCIA SPÍNOLA
Deputada

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