Fora de jogo

Neste início de ano foram tantas as más notícias que dá a sensação que as mesmas se atropelam umas às outras sem dar espaço à chegada das alegrias ou, então, existem em demasia como forma de “abre olhos” para que se dê a devida importância ao que realmente importa. Valha-nos Cristiano Ronaldo, menino de Ouro da nossa terra que abarcou mais um prémio, num currículo profissional invejável e inigualável.

Tivemos a perda de um notável da história democrática do nosso país, agora mais pobre sem o contributo atento e perspicaz do Dr. Mário Soares, sempre presente na discussão pública dos mais diversos assuntos e cuja opinião era respeitada por todos, independentemente de concordarem, ou não, com ela. Partiu com a devida homenagem dada pelo português livre e pelo país republicano que tanto ajudou a construir.

Somámos mais episódios de violência, não apenas sobre mulheres mas, também, homicídios qualificados, uso de arma de fogo, roubando às famílias algo que nunca poderá ser devolvido. Continuam os suicídios, uns mais divulgados do que outros, consoante o mediatismo atribuído a cada caso. As medidas de prevenção continuam longe de obter significativos resultados. É preciso fazer o trabalho de casa, quer no seio familiar, quer juntos das instituições sociais.

A nível politico, desde despedimentos em direto a sucessivas substituições quando o embaraço torna incontrolável, tivemos agora a dispensa de um Diretor Regional, não por não ter competência profissional (vastamente comprovada e sublinhada pelos colegas da especialidade) mas, pasmem-se, por não ser militante do PSD. Ao que chegámos! Não sendo exatamente uma novidade que o cartão laranja é um livre-trânsito na dança das cadeiras de confiança política, esperava o povo madeirense, atendendo que já não se vive na (total) ignorância, que a competência fosse ponto forte para conduzir os diversos assuntos que tornam a Madeira uma região sustentável e promissora. Mas tudo tem a sua razão de ser. Sabemos agora qual o único motivo porque a senhora Secretária do Ambiente e Recursos Naturais se mantém no cargo pois, apesar de ser uma académica de referência, não reúne o perfil adequado para o palco político.

Há muitos anos, alguém que respeito muito, perante uma notícia minha na comunicação social em contexto político de oposição, dizia-me que “era o PSD que dava trabalho”. Tinha razão. Os filhos saltaram da universidade para bons lugares, sem experiência, na função pública regional. Mas, nessa altura, lembro-me da minha insolência (rara) ao responder que “mas, de noite, durmo tranquila”. E assim continua a ser. Antes estar fora de jogo do que se vender por um cartão.

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