Fogos florestais: Basta de desculpas, é tempo de agir!

Em primeiro lugar, uma palavra de solidariedade para todos os operacionais, bombeiros, forças de segurança, autarcas, voluntários e cidadãos que, com coragem e determinação, estão no terreno a combater as chamas e a proteger vidas e bens. Também às populações atingidas, pelo sofrimento e pela resiliência com que enfrentam esta tragédia.

Hoje, em Faro, o Presidente da República e o Primeiro-Ministro vão reunir-se. Espero que este encontro vá além das fotografias e das declarações de circunstância, e que traga medidas concretas, porque o país está a arder e não há mais tempo a perder. Um dos temas que tem de estar na mesa é o drama dos fogos florestais e a vergonha nacional de continuarmos sem prevenção séria.

Ano após ano, o discurso repete-se: promessas, planos, “estratégias”. Mas, no terreno — nas aldeias e nas serras — a realidade é outra: abandono do território, florestas por limpar, autarquias e proprietários deixados à sua sorte.

E como se não bastasse, Portugal entra nesta fase crítica do verão sem meios aéreos próprios. Isto não é azar: é falta de planeamento e falha na governação. É inadmissível que um país que sabe exatamente quando começa a época de incêndios ainda dependa de negociações de última hora e alugueres improvisados.

O que se exige é simples:

  • Prevenção séria, durante todo o ano;
  • Meios permanentes e nacionais;
  • Coordenação que funcione;
  • Fim da dependência de soluções à pressa.

O fogo não espera por reuniões nem por burocracias. As chamas não querem saber de desculpas. É tempo de agir com responsabilidade e coragem, porque cada dia que passa sem decisão é mais território, mais vidas e mais futuro que se perde

Filipe Sousa

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