Uma estranha noção de nada II

No último artigo, escrevi sobre o logro que é acusarem a Câmara de Santa Cruz de nada ter feito nestes quatro anos de mandato. Aquilo a que chamei uma estranha noção de nada, foi exemplificada com uma série de investimentos que estão em curso, e também com o verdadeiramente assinalável trabalho de recuperação financeira.

No entanto, muitas outras coisas se fizeram em prol deste concelho. Na cultura, na educação, na criação de roteiros turísticos e de património, na habitação social e na criação de uma identidade mais forte, que teve o seu ponto alto na celebração dos 500 anos do concelho. Efeméride assinalada com dignidade, qualidade e com a envolvência de todos as forças vivas de Santa Cruz. Para memória futura, fica um hino e a publicação, que está para breve, dos Forais e Anais de Santa Cruz.

Aliás, uma das nossas preocupações foi alavancar o orgulho da população na sua história, origem e cultura. Fator que considero de extrema importância para uma verdadeira consciência de pertença a um lugar.

Cultura e Património foram sempre preocupações centrais. Destaco, a propósito, o alavancar da Casa da Cultura de Santa Cruz, que hoje tem já um programa de iniciativas e exposições consolidado. Longe vão os tempos em que até gaiolas com pássaros vivos estiveram em exposição naquele local. Hoje, a programação da também conhecida como Quinta da Revoredo pauta-se pela qualidade, não só nas suas exposições, como em todas as outras atividades que desenvolve, com destaque para as oficinas criativas que têm envolvido as nossas crianças e jovens.
Um trabalho que tem sido desenvolvido em cooperação com as nossas escolas. Aliás, hoje que se inicia o IV Encontro de Educação de Santa Cruz é imperativo falar desta ligação estreita que quisemos manter com a nossa comunidade educativa, envolvendo-a em muitas das nossas atividades e contando sempre com o empenho, profissionalismo e entrega dos nossos professores.
Considero, aliás, que nenhum trabalho de sucesso e nenhum projeto de futuro pode ser feito de costas voltadas para a escola, enquanto repositório desse mesmo futuro. O Encontro da Educação, que implementamos, vai nessa linha de diálogo, pois acredito que os ganhos são mútuos.

Aliás, esta proximidade que sempre mantivemos com a escola, foi a mesma que mantivemos com as associações do concelho. Muitas vezes acusados de não termos apoiado, a verdade é que esse apoio foi real e a proximidade também. Pode esse apoio não ter sido em dinheiro, mas sempre estivemos lá, sempre colaboramos, sempre apoiamos com meios técnicos e humanos. Dizer que nada se fez, é mais uma forma de materializar essa estranha noção de nada que muitos querem agora fazer prevalecer.

Do muito que fizemos, contra o nada com que nos querem rotular e calar, destaco ainda o muito que se fez na divulgação do património natural e edificado, nomeadamente através da publicação, em diversas línguas, de roteiros, que dão a conhecer aquilo que nos diferencia.

Por último, e para encerrar a parte II desta estranha noção de nada, realço, ainda, o trabalho realizado em termos de habitação social. Não vou falar dos casos que levamos ao IHM e que tiveram desfecho positivo. Falo apenas da gestão que implementámos nos 70 fogos de habitação social que são do Município e que permitiram realojar seis famílias carenciadas.

Por tudo isto, e por muito mais, digo, mais uma vez, que há por aí uma estranha noção de nada. E, por ser estranha, e por não corresponder à verdade, urge ser desmontada e denunciada.

ÉLIA ASCENSÃO
Vereadora na Câmara de Santa Cruz

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