Estepilha, que Povo!

Entramos em contagem decrescente para as eleições Autárquicas e quem mais habilitado para a função se não o Povo?

É neste terreiro que são decididas as causas que nos são mais próximas, mais pessoais, muitas delas visíveis e táteis. É aqui, que são colocadas em prática as soluções que a vida nos ensinou, muitas vezes da pior das formas.

É para este desafio que é preciso chamar as nossas gentes para o combate. O verdadeiro estratega das eleições Autárquicas é o Povo, pois é quem, perante os problemas, se abica para a frente, sem medos, e engendra soluções para ultrapassar os obstáculos do seu dia a dia. A história destas gentes assim conta! O poder local necessita do Povo que gere melhor que ninguém o tempo e o espaço, que possui um olhar habituado às dificuldades do aqui e agora, que não perde a noção do que o circunda, nem se oculta perante o desconhecido. Sabe atremar o presente como ninguém e definir as passadas a seguir. É gente que sabe projetar o futuro comum da mesma forma como contempla o futuro de um familiar próximo. Com o sentido apurado, terno, perspicaz e com uma sapiência hereditária. O madeirense não é de ajoujar perante a adversidade.

Não subestimem esta gente! O Povo é renheta, mas também é sábio e a história já o demonstrou. A vida ensinou-lhe a ser resiliente perante as adversidades e a nunca desistir nem baixar os braços. Esse Povo, aprendeu a conduzir a água por levadas e lanços e a suportar as terras em poios, mantas e socalcos. A desbravar os obstáculos da natureza, respeitando-a e a manter com ela uma ligação de afeto. Fez florir a rocha, quando não havia outro espaço entre a montanha e o mar. Olhou de frente, para o imenso oceano, e conquisto-o. Tratou-o por tu daqui até ao infinito, sempre com o mesmo respeito com que tratamos um amigo e fez dele o sustento para matar a roeza dos filhos.

O Povo, mesmo quando a vida está por um atilho, também sabe sonhar. Também anseia e tem objectivos. Quer o melhor para os seus buzicos, mesmo quando os dias são reles. As nossas mães sempre nos ensinaram isso enquanto nos embalavam e “cantavam com vontade de chorar”, como transmite o nosso cancioneiro popular. Que culto que é! Só um Povo Maior faz poesia, enquanto trabalha na terra. Cultiva-se, enquanto cultiva. É de fazer ramelas aos outros.

Este Povo não tem batoque na boca e quando se junta, é capaz de tudo. O conhecimento popular é tão importante quanto o técnico. Quem desconsidera a existência dessa forma de sustentabilidade democrática não pode gerir os nossos destinos. Não podemos deixar. Devem ser corridos da porta para fora, zunindo.

O Povo, sempre que saiu à rua fez história. Sempre que lutou pelos seus ideais e batalhou pelos seus direitos, fê-lo em nome do interesse coletivo, mesmo quando era caçoado pelos senhores do governo. Eu sei e todos Juntos sabemos. Sempre que o Povo levanta a voz e fala de rijo, a Madeira embravece. Estepilha, afinal, é assim que acontece a Democracia!

RICARDO PESTANA
Assistente Técnico

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