Entrar mudo e sair calado

Durante a semana passada, teve lugar a análise do Orçamento Regional para 2017. Durante a sua discussão na generalidade, tive a oportunidade de colocar questões aos respetivos Secretários Regionais dos Assuntos Sociais, Educação e Saúde, áreas sobre as quais se debruçam as comissões especializadas da Assembleia Legislativa Regional das quais faço parte.

Diz-se que na política é muito comum falar e não dizer nada. Pior é não falar sequer, ignorar as questões que lhe são colocadas, enfiando o barrete de um atestado de incompetência que já foi passado há muito tempo pelo seu próprio partido, pelos deputados e pela população em geral. Pior é não se defender, escudado por quem gere as intervenções, pelo menos até encontrarem um substituto para tão árdua pasta como é a Saúde, reconhecendo eu, de antemão, que esta procura tem sido incansável, somando já inúmeras recusas.

Prefere-se faltar ao respeito à soberana Assembleia Legislativa da Madeira, fazendo “orelhas moucas” às interpelações de uma deputada, em vez de se aproveitar para lavar a cara e mostrar serviço. Os madeirenses e porto-santenses, que assistiram ao debate em direto pela televisão e rádio, ficaram sem respostas a diversas questões.

Qual a despesa do SESARAM no estabelecimento de protocolos com instituições de saúde privadas, que permitam satisfazer a falta de recursos humanos e técnicos na adequada resposta às necessidades dos seus utentes? Qual o ponto da situação da medida difundida em campanha eleitoral referente ao cheque-cirurgia? Qual a previsão de aplicação do anunciado Plano Especial de Acesso a Cuidados de Saúde, que funcionaria em modalidade semelhante ao cheque-cirurgia mas referindo-se a exames complementares de diagnóstico? Quando será implementado o Sistema de Gestão de Frotas para resposta a diversos problemas, principalmente àqueles que envolvem o transporte não urgente de doentes?

Silêncio. Silêncio. Silêncio. Uma descida a pique numa morte política anunciada à partida. Como se consegue ouvir os colegas Secretários a responder prontamente, até fora do tempo estipulado, cada um no seu registo, mas defendendo os seus projetos, e manter-se impávido e sereno perante o público madeirense que escrutina ao pormenor o desempenho dos seus eleitos?
Fico triste com este (entre outros) desnível do exercício democrático numa terra que teve a ilusão de ter melhorado o desempenho público dos seus eleitos. Quem não sabe, procura saber, dentro das limitações. Mas, pelo contrário, quem cala consente.

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