A democracia do faz-de-conta

Continua a ser repugnante e ofensiva a maneira como alguns Secretários Regionais do Governo PSD se dirigem ao Parlamento Regional e aos seus representantes. Se o Dr. Miguel Albuquerque soube escolher senhoras com S grande, conhecedoras das regras básicas de cortesia e respeito pela pluralidade ideológica, independentemente da capacidade técnica e política, sua ou de terceiros, o mesmo não aconteceu quanto à restante equipa, sendo de lamentar a forma como se comporta em sessões plenárias, debates e audições parlamentares.

Uma geração de políticos que se autodenomina “renovada” deveria dar o exemplo aos mais jovens do que se espera no futuro e não daquilo que muito se viveu no passado. Lamentavelmente, faz-se de conta que somos plurais, respeitadores da diferença e das entidades representativas dos eleitores.

Não é por acaso que os Secretários Regionais dão satisfações dos seus atos na Assembleia Regional e não são os Deputados a ir à Quinta Vigia. Os deputados perguntam, o Governo Regional responde. Nada mais. Sem palpites ou tentativas frustradas de diminuir o trabalho do parlamento. Sem subterfúgios. Sem rodeios. É assim que o Parlamento trabalha, com propostas e fiscalização dos atos do Governo, e quem não gosta que coloque na roda do prato.

Ainda esta semana, em contexto de Audição no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à Escola Hoteleira, onde o não cumprimento de ordens (responder a questões, por exemplo) de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no exercício das suas funções são puníveis com crime de desobediência, nos termos da lei geral, um Secretário Regional resolveu alardear a arrogância que lhe é conhecida com expressões deste tipo “Este gajo (o deputado que o questionava) não deve viver no mesmo planeta do que eu”, “quer que lhe faça um desenho?”, “O que tem de acontecer vai acontecer e não é o Tribunal de Contas que vai dizer”, “Vá fazer juízos de valor para outro lado!”… Mas a cereja no topo do bolo foi “Eu respondo ao que me apetecer!”.

Perante esta resposta, um Presidente de Comissão à altura do cargo trataria de comunicar ao Presidente da Assembleia, com os elementos necessários à instrução do processo, para efeitos de participação ao adjunto do Procurador da República na Região, conforme previsto no Regimento das Comissões de Inquérito em vigor. Mas não, o que se quer é galhofa e fazer de conta que estamos interessados no produto deste inquérito, tão interessados que não tinham nada para perguntar à entidade que eles próprios entenderam convocar, vejam lá!

Como a RTP-Madeira não fez a cobertura da Audição Parlamentar, o verniz estalou e o circo não foi montado para as falsas aparências. Fica a gravação do encontro e o testemunho de quem lá estava para memória futura. Já dizia o ditado, “se queres conhecer o vilão, põe-lhe a chave na mão”.

PATRÍCIA SPÍNOLA
Deputada

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