Crianças: os nossos pequeninos Grandes Senhores

As nossas crianças, ou melhor, os nossos pequeninos homens e mulheres (SIM porque nós exigimos que elas vivam como Homens e Mulheres e não como crianças que são!) passam os seus dias como “Gente Grande”, têm de se comportar como “Gente Grande”, têm de discernir entre o certo e o errado como “Gente Grande”, têm horários como “Gente Grande”, têm de assumir responsabilidades como “Gente Grande”… mas quando são crianças (como Crianças que são!) e fazem alguma brincadeira que “suja a roupa” ou “esfola o joelho”, são repreendidas (e castigadas) como “Meninos Pequeninos”…
As nossas Crianças passam mais tempo na escola com os amiguinhos, com os professores e com os assistentes operacionais do que com os pais ou com a família (têm sorte aqueles que têm os irmãos na mesma escola).

Exige-se que sejam “os melhores da turma”, que tenham “as melhores notas”, no fundo… que sejam os Melhores. Nunca como hoje houve tantas prescrições de substâncias químicas usadas para combater a hiperatividade e o défice de atenção, como o metilfenidato, mais conhecido por ritalina.

As crianças com 7 anos já expostas à pressão de provas de aferição (de âmbito nacional) é de uma violência, acrescida à própria violência do seu dia-a-dia que lhes retira horas de sono, as conquistas ao longo do crescimento (infelizmente, há várias crianças que com esta pressão sofrem de insónia, voltam a fazer xixi na cama, ficam com ansiedade). E outros exemplos poderiam ser dados.

Hoje, 18 de maio, é o “Dia de Aulas ao Ar Livre” que se comemora pelo mundo inteiro. Será um dia que, com certeza, ficará na memória destas crianças. Será estranho… as crianças poderão Ser Crianças (quem diria?).

Que este dia se multiplique por tantos outros, seja em contexto de aula, seja em contexto familiar. Mais do que querermos ter “os melhores da turma”, ensinemos as “nossas” crianças a serem o melhor de si próprios, na relação com os outros. E este é um alerta para familiares, professores, para a sociedade em geral.

Mas, acima de tudo, um alerta para o Sistema de Ensino que continua a querer “produzir iguais”, que continua a incentivar a pressão e a competitividade. A formatação não é o caminho se queremos “reconstruir” valores até porque os nossos comportamentos (Sim, porque eles ensinam mais as nossas crianças do que imaginamos!) são contraditórios.

As nossas crianças são Crianças. São diferentes, gostam de coisas diferentes, mas os contributos de cada uma é igualmente valioso para a vida em sociedade.

LINA PEREIRA
Assistente Social

Partilhar: