Combate ao abstencionismo

Uma das idiossincrasias que o regime democrático viabiliza é precisamente a abstenção.
A abstenção, sendo uma das evidências que resulta da liberdade dum indivíduo, neste caso eleitor, poder manifestar a sua posição em relação à política ou às alternativas políticas que lhe são apresentadas, tem vindo a ser banalizada por parte daqueles que nela se refugiam para não exercerem uma participação ativa através do direito de voto, e que, segundo as estatísticas, tem vindo a aumentar sucessivamente nos últimos anos.

A minha reflexão sobre o assunto deixa-me alarmado. 43,07% dos eleitores inscritos não votaram no último ato eleitoral, ocorrido em 2015. Embora consciente que o fenómeno da “emigração forçada” possa ter contribuído também para este aumento, não deixa de ser imperativo desenvolver mecanismos para inverter esta tendência.
Não é utópico considerar que os abstencionistas, a manter-se este sentido ascendente, brevemente serão em número superior aos votantes, perspetivando uma lógica de inversão, em que a escolha não será feita por uma maioria da população eleitora.

Os abstencionistas deixam o seu voto refém das vontades dos outros e depois quase sempre são os que mais se queixam das políticas praticadas.
Ora, embora seja de salutar a consagração deste direito à abstenção, é importante o alerta. Na minha opinião, urge despertar consciências na população, com especial incidência para os jovens no âmbito do currículo escolar. Esta medida permitiria prepará-los para o exercício duma democracia participativa, decisiva, de forma a que não sejam traídos por uma atitude, que, de forma impreparada, remeta para outros o poder de decisão e escolha.

Eu acredito que durante um ato eleitoral aqueles que não se reveem nas ideologias, políticas e/ou candidatos são uma minoria, mas, que por mero comodismo do “deixa andar”, “não é comigo”, “são todos iguais” perdem a oportunidade de deixar a sua marca decisória na vida de um país, de uma região ou de uma autarquia, em suma, do local que escolheram para viver.
Vamos todos votar, não deixemos a nossa escolha em mãos alheias.

JOÃO CÉSAR ALVES
Assistente Operacional

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