Chegou o calor

O tempo da sede está aí. Os agricultores vigiam cuidadosamente o crescimento das suas plantações e contam os dias para o próximo giro. De podoa na mão, cortam caminho entre as ervas daninhas para chegar ao tornadouro. Se for madrugada, melhor, mais fresquinho, se o sol já for alto, toca a despachar para não perder uma gota. Bateu a hora certa, o vizinho que tenha paciência, mas a chapa vai mudar a água de direção. Anda-se com passo apressado, com as botas de água pela levada, desimpedindo qualquer embaraço no trajeto daquele recurso fresco e cristalino.

É ver a água a chegar aos regueiros, matando a sede à terra produtiva e trabalhada pelas mãos calejadas de um corpo de coração cheio! O homem, ou mulher, que encabeça e conduz esta viagem está preocupado com a avaliação genérica da qualidade da água mas aposta principalmente na sua boa gestão, reduzindo o desperdício, aspeto particularmente importante, dado tratar-se de um recurso natural escasso e que importa preservar.

O mesmo não se pode dizer da empresa que gere o sistema de água de rega regional. Dá-lhe tanta importância que a própria página da Internet sobre o assunto tem estado “em construção”, assim como deviam estar todos os percursos com perdas significativas de água! O estado de degradação das levadas traz consequências graves, sendo urgente tomar medidas para minimizar as perdas e prestar aos agricultores o serviço contratado.

Por outro lado, não esqueçamos a importância da manutenção da paisagem da Região, através do apoio aos regantes, contribuindo para o turismo e para a economia familiar, evitando colocar em risco as colheitas. Os conflitos em torno da água de rega e das levadas, no âmbito da situação económica e social madeirense, já é anterior à Revolução.

Também neste cenário, há que ter em conta a prevenção dos incêndios florestais, a prevenção que parte de todos. Para tal, o dito Plano Operacional de Combate a Incêndios, deverá deixar claro o quê compete a quem, para que no futuro, lamentavelmente bem próximo, não se atirem culpadas para o vizinho do lado, seja ele quem for.

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