Breve diagnóstico ao XII Governo Regional da Madeira

O Governo Regional da Madeira celebra, neste mês de abril, dois anos de governação e não são raras as vezes que vemos e ouvimos os senhores deputados da maioria PSD, com assento na ALRAM, dizer que os partidos da oposição são partidos de ideias vagas, sem projetos de governação que se regem por vãs notícias de jornal e de cafés.

Diz o governo PSD, do alto da sua sapiência, que o seu programa é para executar durante os quatro anos. Recentemente o Presidente do Governo proferiu as seguintes declarações: “até ao fim do meu mandato vamos cumprir tudo aquilo que está exarado no nosso programa”.

Também é recorrente ouvir da maioria que nos governa que a oposição não desespere porque ainda vamos a meio do mandato. Afinal o que tem feito o Governo Regional? Frequentemente ouvimos falar em planos estratégicos que, teimosamente, sabe-se lá por que razão, não saem do papel e diz o Governo que está a cumprir aquilo a que se propôs! Mas resultados, onde estão? O que produziu até agora? Sabe-se que criou uns ‘jobs para os boys’ em cargos nomeados e desta forma promove a tão badalada renovação. E quanto às medidas estruturais prometidas no programa de governo?

Curiosamente, um exemplo muito elucidativo da vagareza que se assiste é o ponto número um do programa do XII GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA, que enumera a Autonomia e Reforma do Sistema Político Regional. Com exceção da vinda do Presidente e membros do Governo ao Parlamento Regional uma vez por mês, só agora, sensivelmente a meio do mandato, começa a ser discutido e com fortes indícios de manter práticas e privilégios antigos. Como diz o povo, por aqui já é possível ver o andar da carruagem.

As promessas eleitoralistas, exaustivamente propagandeadas, do ferry, do avião cargueiro, o subsídio à mobilidade nas viagens aéreas que nasceu torto e tarda em endireitar, as concessões dos portos, o novo hospital, são exemplos da ingovernabilidade e da inércia deste Governo Regional que aproveitando a cor política diferente do Governo da República, empurra para Lisboa tudo o que não lhe convém. Este Governo PSD esquece que a maioria absoluta conquistada foi em grande parte, devido a estas promessas e os Madeirenses e os Porto-santenses estão defraudados com o sucessivo adiar de soluções.

Assistimos a uma governação reativa que vai a reboque das problemáticas apresentadas pelos partidos da oposição, justificando sempre o protelamento das situações com estudos e mais estudos. O Governo está sempre a fazer tudo, mas os resultados, alguns, poucos, só aparecem timidamente após serem feitas denúncias públicas. É curioso ver que grande parte dos problemas levantados pela oposição estão sempre em vias de resolução numa tentativa de justificar o injustificável. Este XII GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA é um governo reativo em detrimento da pro-atividade que lhe é exigida. Este Governo não governa, este Governo reage de maneira extemporânea para mal da população da Madeira e do Porto Santo.

JOÃO CÉSAR ALVES
Assistente Operacional

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