Avença paga pelo BES a um antigo membro do Governo Regional da Madeira continua no “segredo dos Deuses”

Em causa estão as declarações do Dr. Vítor Bento, antigo Presidente do Conselho de Administração do Novo Banco, sobre a existência de avenças pagas pelo BES a um anterior membro do Governo Regional da Madeira (à época de Alberto João Jardim), situação também levantada pelo atual presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, que alegadamente escreveu uma carta a Vítor Bento tendo referido essa mesma avença, de acordo com informações trazidas a público por órgãos de comunicação nacional.

Foi público a constituição, na Assembleia da República, de uma Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, a 16 de dezembro de 2020, tendo já entre 09 de outubro de 2014 e 08 de maio de 2015, funcionado a Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à Gestão do BES e do Grupo Espírito Santo.

Neste sentido, o JPP, apresentou à Presidência da Assembleia da República um pedido para obter a cópia das atas do concelho de administração requeridas pela Comissão de Inquérito ao Conselho de Administração do Novo Banco, onde consta, exatamente, o nome de um membro do Governo Regional, com qual o antigo BES detinha uma avença, sem se saber qual era o serviço prestado.

Sem resposta da Presidência da Assembleia da República, o JPP deu entrada da competente Intimação, contudo, o Supremo Tribunal Administrativo, considerou que o documento em causa é de natureza politica e não de natureza administrativa.

Para o Supremo Tribunal Administrativo o documento em causa, ou seja, as atas do concelho de administração do Novo Banco têm uma natureza política e não administrativa, considerando a própria função de fiscalização política da Comissão de Inquérito Parlamentar.

Embora a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Administrativo, entende o JPP que se trata de informação do interesse público, estando em causa a transparência da atuação de um membro do Governo Regional, algo que o JPP considera inaceitável.

Deveria o Governo Regional de ser o primeiro a dar o exemplo e tornar pública toda esta situação que, ao se manter no “segredo dos Deuses”, apenas serve para aumentar o descrédito da população perante o poder político e os nossos governantes.

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