A Madeira celebra 40 Anos de Autonomia e têm sido muitas as iniciativas que comemoram este importante aniversário. O conceito de autonomia merece reflexão e debate quer por parte daqueles que a conquistaram, quer por parte dos jovens que se mostram menos conhecedores das conquistas dos seus antecessores. Assim, importa promover discussões construtivas, nos mais diversos contextos, que levem mais longe o respeito e o entendimento por tão nobre conquista, assim como, consciencializem para a sua manutenção enquanto sinónimo de liberdade.
No nosso caso, ganhámos autonomia política administrativa em 1976, fruto da Revolução de 25 de Abril de 1974, que marcou o início de uma nova era no nosso País. A Região Autónoma da Madeira (RAM) passou a elaborar e colocar em prática as suas próprias leis sem interferência de um outro governo nas tomadas de decisão, através de um grupo de pessoas eleito democraticamente e que representa a vontade de um povo, regendo-se por leis nacionais em assuntos que sejam omissos na sua legislação ou quando as mesmas não se encontrem adaptadas à nossa realidade. Não esquecendo que a autonomia está aí mas não em todas as vertentes. É exceção a justiça, as finanças, a defesa… e, olhando ao que temos e ao que necessitamos, se calhar é melhor assim… para já.
Com a entrada de Portugal na União Europeia, a RAM foi auxiliada com subsídios que lhe proporcionaram uma maior aposta no desenvolvimento regional em vários setores. A rede viária foi um dos principais alvos de melhoramento com a construção de diversas infraestruturas que vieram reduzir as distâncias e aumentar a segurança, tal como demonstrado no vídeo apresentado na segunda parte do espetáculo musical “Grito de Esperança”, um dos vários tributos a este aniversário.
Contudo, não há rosas sem espinhos (salvo algumas modificações genéticas) e os madeirenses e porto-santenses continuam com graves problemas associados à sua insularidade. Recordemos a dificuldade em entrar e sair da região a custos equilibrados, os atrasos na entrega de bens perecíveis e medicamentos, a incapacidade de exportar aos valores da concorrência, a realização de exames complementares de diagnósticos considerados ultrapassados pelos recursos já usados no território continental. Enfim, um mar de desigualdade que nos afasta do cumprimento do princípio da continuidade territorial e que lembra que os 40 anos de Autonomia são o princípio de uma caminhada que será longa e dura, mas meritória.
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