A terminar mais uma volta ao sol e ainda envoltos pela “magia” das festividades natalícias, estamos a escassas horas de dar início ao novo Ano, oscilando entre objetivos alcançados e metas por cumprir, num sentimento com sabor agridoce que nos impele a (re)escrever as resoluções para 2025.
São dias marcados pelos valores familiares, da união e da partilha que, por escassos momentos, aliviam o fardo das incertezas e da instabilidade porque estão a passar milhares de agregados familiares. E não me refiro à tão falada “instabilidade política” que passou a ser o único tema merecedor de profunda “reflexão” por parte de (pseudo)jornalistas entre outros comentadores.
Quem aguarda há anos por uma consulta, um exame ou uma cirurgia e não tem poder económico para pagar a um privado; quem recebe pouco mais de um ordenado mínimo e vê que o que ganha nem dá para pagar a renda da casa ou até mesmo quem recebe acima da média mas, mesmo assim, não consegue comprar casa; quem já está a aproximar-se dos 40 anos mas ainda não tem estabilidade para constituir família; quem trabalha a terra e vê, ano após ano, os seus rendimentos a diminuir face aos custos de produção; quem trabalhou uma vida e vê a sua pensão limitada a pouco mais de trezentos euros (ou até menos!) e muitos outros exemplos poderiam ser dados do que é VIVER a instabilidade e a incerteza de décadas de um modelo de desenvolvimento socioeconómico completamente falhado!
A liquidez contemporânea obriga-nos a considerar variáveis que não se colocavam no passado, é certo. A digitalização, as redes sociais e a velocidade da informação são também factores que merecem ser considerados. Mas, mais do que nunca, é fundamental os cidadãos, responsavelmente, terem consciência do tempo em que vivemos.
E este tempo é marcado pelo crescente aumento da desinformação, seja com informações falsas ou manipulação de factos, a chamada era da pós verdade! São resultados estatísticos, sondagens eleitorais, sondagens sobre “personalidades”, programas televisivos com comentadores do sistema, notícias apocalípticas sem contraditório (veja-se a questão do orçamento da região e as diferentes opiniões de especialistas sobre esta matéria), no fundo, desinformação intencional para adequar determinados objetivos políticos.
Sejamos conscientes, sejamos responsáveis, sejamos exigentes na informação que “consumimos”!
Que a crítica e o conhecimento nos permita a Audácia que a Madeira merece, já no próximo ano: Próspero 2025!
Lina Pereira, deputada e presidente do Juntos pelo Povo
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