As verdes ervas daninhas

“Planta daninha pode ser definida como toda a planta cujas vantagens não têm sido ainda descobertas ou como a planta que interfere com os objetivos do homem” (Fisher, 1973).

Erva daninha foi um dos últimos termos utilizados por um deputado do PSD Madeira para definir o movimento Juntos pelo Povo. Mal sabia esse deputado que melhor não o podia elogiar. De facto, embora pouco exótico, o JPP nasceu espontaneamente em local e momento indesejados pelo PSD, interferindo negativamente nas suas centrais de controlo, as autarquias.

Garante também esse deputado que o JPP não seja confundido com o conceito de espécie invasora, já que muitas ervas daninhas à agricultura muitas vezes são originárias do lugar, assim como a origem do JPP, na freguesia de Gaula, concelho de Santa Cruz.

Dependendo da ideologia dos profissionais em ciências agrárias, defensores da agricultura convencional ou da agricultura agroecológica, as ervas daninhas podem ter muitos significados. Na política não é diferente. Para uns, as novas correntes não passam de inço e mato, para outras são reflexo de espontaneidade, convivência e comunicação democrática.

A realidade é que a comparação do deputado “das bocas do microfone desligado” não podia ser mais verdadeira: as ervas daninhas e o JPP são muito semelhantes porque ambos crescem rápido graças ao uso de uma alta eficiência de trabalho, com excelente adaptação aos meios, fundamentada numa política de proximidade cultivada ao longo dos tempos. Ambos apresentam um curto espaço entre a floração e a germinação, como diriam alguns “pega de galho”, porque os seus princípios são dados a conhecer na ação incansável da resolução de problemas junto da população, e espalham-se aos sete ventos. Perenes e auto compatíveis, as ervas daninhas e o JPP apresentam estruturas para dispersão, germinando em quase todos os substratos sem uma fertilização específica.

Devido à sua provável longevidade e produção contínua, é compreensível que sejam ambos considerados uma praga pelos partidos tradicionais devido à sua infinidade de formatos, traduzida politicamente na neutralidade ideológica, na ausência de radicalismos e cultos do ego.

Os “camisolinhas verdes” ou “as ervas daninhas” estão a trabalhar para e com a população da Madeira e Porto Santo, junto com vários contribuintes anónimos. O JPP cresce onde não é desejado pelos políticos tradicionais pois estes veem a sua zona de conforto abalada. Mas quem dá a mão ao JPP, freguesia após freguesia, concelho após concelho, é o povo, a base da democracia, o Pai da Revolução dos Cravos que nos permite aceitar e fazer críticas, sem medo das mudanças.

O novo jardineiro não sabe ajardinar e as ervas daninhas vieram para ficar!

PATRÍCIA SPÍNOLA
Deputada

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