O PSD Madeira e o seu líder, que é também presidente do Governo Regional, andam, nos últimos tempos, empenhados numa cruzada que tem por objetivo derrotar, nas próximas eleições autárquicas, aquelas que denominam de Câmaras da oposição.
É claro que é legítimo a qualquer partido estabelecer objetivos e conquistar vitórias. No entanto, o que me incomoda nesta equação não são os objetivos, mas a forma como se tem colocado a questão.
Comecemos pela designação de “câmaras da oposição”. É claro que todos os que não integram o PSD são, em relação a este, oposição. Mas as Câmaras que foram conquistadas por esses partidos ou movimentos de cidadãos não são câmaras da oposição, mas sim poder nas respetivas autarquias, na medida em que o seu mandato foi legitimado pelo voto popular e pela democracia.
Ao manter a denominação de “câmaras da oposição”, o PSD revela o seu mais íntimo sentir, alicerçado em anos de poder, que o fizeram e fazem olhar para os cargos públicos como se estes fossem pertença sua, e como se as eleições ganhas por outros partidos representassem uma espécie de tomada ilegítima de um território.
O PSD coloca-se como libertador de territórios ocupados, querendo resgatar aquilo que o povo legitimou numa perspetiva que denota um ato de posse em relação ao poder, que é, a meu ver, abusivo e lamentável em democracia.
Além disso, e exercendo uma espécie de amnésia passada e presente, o PSD apresenta-se como o único partido capaz de servir as populações e levar à prática uma gestão digna desse nome. A verdade, contudo, é que não há nada nem no passado, nem no presente que sustente essa sua auto-proclamada superioridade.
Do passado conhecemos as dívidas que cada madeirense ainda está a pagar, e do presente conhecemos as promessas não cumpridas, e, diga-se a bem da verdade, os problemas que persistem.
Afinal, o que mudou assim tanto na vida das pessoas com este renovado PSD? Deixo a pergunta a quem de direito: ao povo. O único com legitimidade para decidir.



