Durante algum tempo almejou-se um novo paradigma, uma nova visão intitulada de renovação que traria novos ares ao agreste e mal-afamado ambiente parlamentar. Era esse o (pre)conceito com que iniciei o meu contributo enquanto deputada pelo partido Juntos pelo Povo na ilustre casa da democracia madeirense, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM).
Paulatinamente, antes mesmo de qualquer candidatura formal, assisti à formatação de um líder do governo regional mais ponderado nas palavras, mais educado e respeitador das diferenças de opinião. Com ele seguiu uma equipa de parlamentares com aparente vontade de fazer diferente, muitos não eleitos diretamente, mas encantados, como eu, com as suas novas funções.
Durante o primeiro ano de trabalho parlamentar foi notória de ambas as partes, oposição e partido maioritário, uma dedicação aos assuntos em discussão assim como a presença da intenção democrática em quase todas as tomadas de decisão. Porém, não é fácil remar contra uma maré, que é mais um tsunami, de passado enraizado nas escolas partidárias e nas autarquias geridas a bel-prazer, no comodismo das maiorias absolutas.
Verdade é que essa realidade do “quero, posso e mando” morreu em 2013, numa avalanche de derrotas nunca previstas nas já pouco assertivas sondagens eleitorais. Em estado de choque, iniciou-se um caminho difícil para quem nunca se sentou no banco da oposição e, para alguns, no banco de arguido.
Em contexto de debate na ALRAM, não foram poucos os momentos em que o sangue ferveu e quase destapou a careca do verdadeiro partido que ainda gere a nossa região. Mas houve sempre quem apagasse o fogo com meia dúzia de sarcasmos, umas chicletes, uns cigarros milagrosos e pozinhos de perlimpimpim na dura magia da liderança parlamentar.
Todavia, estamos a menos de um ano das próximas eleições autárquicas. O verniz estalou e agora só se fala de temas municipais de Santa Cruz, todos os dias e em quase todos os assuntos levados à discussão. Quem ouve o debate até pensa que o PSD só perdeu essa Câmara. Perdeu forte e feio, sejamos sinceros, levou a maior derrota de que há memória. A política de hoje é feita com seriedade e respeito pelos dinheiros públicos. Tenho pena dos outros partidos que se sentem ignorados, colocados de parte, apesar de terem o domínio de alguns municípios. Mas o que importa é abater o JPP pois ele é uma ameaça, um povo que irrompeu pela seletiva ALM, uma “espécie protegida” do concelho de Santa Cruz que agora quer expandir-se, que não vai em cantigas, que não se vende, que cresce mais rápido do que os lobbies regionais pretendem controlar… enfim, uns pestes. E estamos para ficar.
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