Mas, afinal, quem está a falar a verdade?

Não é novidade para ninguém que os governantes políticos, eleitos democraticamente, têm o dever ético de governar em prol do bem comum, logo, em defesa daquilo que a própria sociedade precisa para que as pessoas se sintam felizes, seguras e possam ver respondidas as suas necessidades, essenciais à dignidade da vida humana. Por isso, é eticamente reprovável a governação para beneficiar grupos ou fações influentes e próximas desse poder governativo.

Partindo deste premissa, é inaceitável que haja, ainda hoje, pessoas a governar dando ênfase a promessas que mais não vão além do que as teorias que as sustentam, e com as quais procuram “tapar o sol com a peneira”. Persiste-se no erro de governar para alguns em detrimento do todo!

Quero com esta nota introdutória voltar a um tema que a todos diz respeito: O Serviço Regional de Saúde! De uma forma muito sucinta, pretendo alertar para a necessidade de se agir com celeridade para evitar que a situação se agrave ainda mais.

O que vimos, no passado dia 14 de abril na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, durante o debate potestativo, requerido pelo Juntos pelo Povo (JPP), foi os partidos da oposição a abordarem o assunto com dados concretos, números e exemplos reais e comprovados, que são do conhecimento de qualquer cidadão que já tenha recorrido aos serviços hospitalares ou centros de saúde, e por outro lado um secretário regional com receio da realidade, que tenta ocultar o que de mal está sob a sua tutela e um PSD a argumentar que o mal vem do passado, mas que os problemas já estão a ser resolvidos…

Acontece, que a realidade é outra: basta falarmos com profissionais de saúde a trabalhar em hospitais ou centros de saúde, para percebermos que “isto está a bater no fundo”. Como é que podemos dizer que os serviços estão bem, se são os próprios médicos a reencaminhar cirurgias ou até exames de diagnóstico e/ou complementares, para o privado porque no hospital as listas de espera são de anos!? Se a própria alimentação dos doentes está a ser racionalizada: faltam bolachas, pão, iogurtes, papas, etc. Para não falar nos materiais clínicos básicos para um desempenho em segurança das funções dos profissionais de saúde.

Sejamos sérios: já basta de inventar desculpas e tentar esconder o que de mal vai na saúde.

Sejamos honestos e que se assuma, de uma vez por todas, que as coisas estão mal e que foi vergonhoso e errado: os apoios que foram dados ao Jornal da Madeira e aos Clubes de Futebol Profissional; os avales que se assumiram, como por exemplo os 4,3 milhões da Associação de Futebol da Madeira; os valores exorbitantes que foram assumidos através de contratos milionários com a ViaExpresso e ViaLitoral; os milhões gastos em obras megalómanas e que agora estão votadas ao abandono; e outros milhões gastos só para sustentar interesses privados… e a saúde foi uma área que foi ficando esquecida até chegar à presente situação!

Não é por acaso que os privados, em matéria de prestação de serviços de saúde, têm vindo a crescer ao ritmo que se conhece!

Em síntese, é notório que de um lado está uma governação sustentada por uma maioria PSD na ALRAM, a não querer ver (?) a situação caótica e de rutura, em que se encontram a grande parte dos serviços do nosso Serviço Regional de Saúde. Do outro lado, estão os profissionais de saúde, das diferentes áreas e departamentos clínicos, as assistentes operacionais e, principalmente, os utentes, a experienciar diariamente os reais problemas destes serviços, portanto, a serem prejudicados pelas opções políticas em matéria de Saúde, e que por isso pedem, urgentemente, mudanças, que tardam em chegar.

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