“O homem é um animal político”, quem o disse foi Aristóteles. Realmente, a política está em tudo o que nos rodeia e vai mais além do que é discutido nos parlamentos. Ela está ao virar da esquina, ou no buraco do beco, da Travessa, do Sítio do Cabouco de Cima, que impossibilita a Tia Eulália de chegar à estrada que leva à Igreja… A política está em tudo! E nós, por sermos parte disso tudo, não podemos continuar alheios. Enquanto vivermos em freguesias, vilas, cidades, países, a política estará sempre à espreita, pois é desta forma que se organiza a sociedade, porque é assim que se constrói a democracia.
Como é possível vivermos longe de tudo isso? Como é possível dizermos que isso não tem importância? Como podemos acreditar que ela está vedada ao Povo, que somos nós, e apenas diz respeito a alguns, os eleitos, os escolhidos, não através do voto, mas através da tradição, da herança, da família… Não poucas vezes ouvimos dizer “A culpa é dos políticos”, “o Governo que faça”, “Eles prometem, mas não cumprem”, “Eles não querem saber”, “Eles… Eles…”, e quem são ELES? Eles são o resultado do nosso voto! Eles são nossa responsabilidade! Eles, somos nós!
Então questiono: e o que fazemos nós perante tudo isto? Ficamos no sofá a postar no Facebook as nossas indignações? No dia de eleições ficamos em casa, porque está calor, está frio, está vento, está chuva… porque a política não nos diz nada e porque a abstenção é um direito… Um direito? Que direito é esse que nos permite entregar os nossos direitos a pessoas que nem sabemos quem são, tão somente porque não queremos saber? E quando a coisa está mal, a rua está inundada, o beco tem um buraco, já temos um culpado: “Eles”!
Os tempos mudaram! Os novos tempos vêm dizer-nos que essa atitude tem que mudar, os novos tempos vêm dizer-nos que só ser político de sofá não basta. Vêm dizer-nos que a política somos nós! É tempo de querermos mais da nossa sociedade! É tempo de queremos mais de nós próprios! Qual o contributo que podemos, individualmente, dar à nossa rua, ao nosso bairro, à nossa Vereda, ao nosso sítio?
Este ano teremos eleições autárquicas, essas mesmas que vão tratar de assuntos que nos são tão próximos, tão preciosos e tão urgentes, como o tal buraco que incomoda tanto ali bem no meio do beco que leva à casa da Tia Eulália. Não será este o tempo de tomarmos consciência de que quem constrói a democracia é tão somente o povo e que políticos somos todos nós? E nós não queremos apenas paz, pão e liberdade. Queremos mais! Também queremos escolas, lares, hospitais… um futuro!
Este é o tempo! E o tempo é hoje.
CÁTIA PESTANA
Arquivista



