A escola pública na RAM, palco de oportunidades e desigualdades.

Nestes tempos de novos desafios para a Educação na Madeira, onde os docentes estão, de uma forma inteiramente justa, a ver as suas reivindicações serem atendidas, ainda que de forma tardia e aos solavancos, esquecendo a tutela que uma promessa cumprida é um dever funcional das suas obrigações enquanto políticos responsáveis.

É uma outra questão, que nestes dias de canícula, que me tem assaltado o espírito. Todos nós que vivemos o dia a dia de uma escola, vamos percebendo que existem na Madeira assimetrias de diferentes naturezas e com distintas matrizes, é assim aqui e em todo lado (infelizmente). O que me causa espanto e incompreensão é saber que, entre as dezenas de estabelecimentos de ensino (EB 2,3 e secundárias) que existem na nossa região, dá ideia que umas são dirigidas por formigas enquanto outras são comandadas por cigarras. Explicando, como se entende que existam na nossa ilha escolas que não tem o básico para cumprir os seus desígnios e outras ao lado que nada lhes falta. Esta realidade existe e pouco tem a ver com o contexto onde as escolas estão implementadas, mas acima de tudo parece-me resultado de diferentes modelos de planeamento e gestão. É expectável que todas as escolas sejam “apoiadas” de igual forma pela tutela e ainda assim estas desigualdades subsistem e proliferam. 

Apenas um exemplo, que pode ser sintomático do que aqui escrevo, os quadros interativos são uma ferramenta poderosa que, nos últimos anos, tem entrado nas nossas salas de aula, era interessante saber qual a percentagem de salas equipadas com estes quadros e será revelador saber que existem escolas que estão completamente equipadas e outras, a poucos quilómetros de distância, que poucos ou nenhuns equipamentos destes possuem. 

Não seria positivo para a Educação na RAM haver uma maior e melhor distribuição de recursos? Não era aconselhável, se o problema é a gestão ou a falta dela, existir uma melhor comunicação entre os vários agentes, para que ninguém fique para trás? É que no final da equação estão os nossos alunos, e estes tem de merecer por parte de quem decide e dirige, um esforço para que lhes seja proporcionado um ensino de qualidade e com qualidade.

Álvaro Martins

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