A 19 de novembro, foi notícia o facto do Governo Regional da Madeira aumentar o apoio financeiro no setor da Saúde. Não obstante esta ser uma boa notícia, considero ser igualmente legítimo tecer algumas consideraçõesa acerca desta notícia sensacionalista:

O Governo Regional da Madeira, através do seu “escudo de defesa” (o Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira), sempre defendeu que a Saúde tem sido um setor prioritário e que tem havido aumento do investimento nesta área. No entanto, a realidade que se conhece a partir dos doentes e dos profissionais que trabalham neste setor, é que os problemas se agravam: continua a haver rutura do stock de medicamentos, os aparelhos continuam com avarias frequentes, não há manutenção dos aparelhos nos hospitais, as infeções hospitalares têm atingido valores preocupantes, o número de camas da UCI continua insuficiente, há sobrecarga de trabalho para os profissionais de enfermagem por falta de enfermeiros em vários serviços, faltam assistentes operacionais, alguns edifícios hospitalares continum a degradar-se cada vez mais, como é o caso do Hospital dos Marmeleiros e do Centro de Saúde da Calheta, etc.

Um rol de problemas impossível de elencar neste artigo de opinião. Mas, então, se há aumento de verbas para a Saúde para onde vai o dinheiro?

A verdade é que quando se fala que serão reforçadas as verbas para a Saúde, é um passo para se reconhecer que afinal o setor da Saúde, no passado, não teve a devida prioridade e importância, como se propagandeia! A realidade é aquela que todos nós conhecemos e não a “realidade virtual” que nos querem impingir!

Se há reforço para um setor é, nem mais nem menos, que reconhecer que esse setor está com problemas graves e que precisa de intervenção urgente.

Mas a verdade é que estamos a pagar dívida do passado no setor da Saúde. E que se paga aos milhões… mais 39 milhões! Pagamos mais 30 milhões do que no orçamento anterior. Não há investimento mas sim pagamento de dívida. Este é também um reconhecimento de que o suposto investimento feito na Saúde foi apenas para pagar dívida.

Em síntese, o Governo Regional em vez de dizer que na proposta de orçamento para 2018 está refletido um aumento para o setor da Saúde, deveria dizer que vamos pagar dívidas da Saúde referente aos anos anteriores… E assim não se resolvem os problemas da Saúde!

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 20 -11-2017

Paulo Alves

Paulo Alves

Deputado Parlamentar em Juntos pelo Povo
Licenciado em Ciências Religiosas; Pós-graduado em Bioética e Mestre em Filosofia, com especialização em Bioética pela Faculdade de Filosofia de Braga, Universidade Católica Portuguesa; Presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz.
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