A um ano das Eleições Regionais mantém-se a incógnita relativamente aos resultados que sairão daquela que será a vontade soberana da população.

Apesar de alguns já se darem como vencedores, a verdade é que até ao fecho das urnas ninguém pode cantar vitória ou contar com lugares antecipados.

O que se pode sim fazer é começar a discutir o que serviria melhor à Madeira e aos madeirenses.

Desde logo, é minha convicção de que os tempos das maiorias absolutas tiveram o seu auge e já não servem o atual estado democrático de uma região que viveu mais de trinta anos de poder dominado por um único partido, com a rede de interesses que se foi estabelecendo e que, muitas vezes, suplantou aqueles que eram os interesses legítimos da população. Suplantou até o delinear de um modelo de desenvolvimento sustentado numa lógica de serviço global e não numa lógica de serviço aos mesmos de sempre.

A lógica de uma mão lava a outra, dos empresários protegidos, da mão paternal presente em associações, grupos e quejandos criou uma longa e nada profícua rede de dependências, de amiguismos, de clientelismos e outros ‘ismos’ que minaram o afirmar da idade adulta de uma democracia que se infantilizou e acobardou, e não serviu, de forma eficaz, o povo desta região.

Chegados a este diagnóstico, urge então perguntar se os chamados partidos tradicionais, ou os partidos a quem tradicionalmente se antecipa melhor colocados para a vitória são aqueles que melhor podem garantir um estado de mudança, que é não só desejável, mas também necessária.

Quem já militou em partidos sabe que não. Que poucos estarão aptos a governar com a coragem e a força necessária para fazer frente aos lobys e interesses instalados. Os mais atentos até verão que só a perspetiva de vitória já faz mover o xadrez dos ‘protegidos’ de sempre para outras mesas de jogo.

E, nesta altura, já devem estar a questionar o que tem Santa Cruz a ver com as Regionais, como o título anuncia.

Santa Cruz foi o berço de uma nova forma de fazer política. O berço de um partido jovem que nasceu de um movimento de cidadãos, mas que manteve esse legado e os princípios que estiveram na sua origem.

Um partido de gente sem ligações, sem dependências, sem amarras que não sejam a defesa dos interesses da população e da Madeira.

O trabalho que temos desenvolvido na câmara e juntas onde somos poder é disso exemplo. Implementámos regras claras nos apoios, não estamos presos a qualquer interesse privado, fizemos da transparência uma bandeira e do trabalho social um projeto de futuro.

Na Assembleia Regional, levantamos todo o tipo de questões sem estarmos ao serviço de interesses menos claros e de agendas obscuras.

A democracia na Madeira precisa de alternância verdadeira, e não de maiorias. A democracia na Madeira precisa de gente que pense e faça diferente, e que possa realmente alavancar um novo modelo de estar na política e de gerir a coisa pública.

Creio que, neste contexto, o JPP poderá ter um papel fulcral no xadrez político que sairá das Regionais de 2019.

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 28-08-2018

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