É com agrado que temos testemunhado a paulatina recuperação dos bairros sociais da região, sejam eles da tutela do Instituto Habitacional da Madeira ou dos municípios. São investimentos que pecam por tardios, pois deveriam ter sido previstos ao longo da sua existência, mas que começam a dar ânimo à população residente, sublinhando a dignidade que deverá ser assegurada a estas áreas.

Enquanto os bairros vão surgindo de “cara lavada”, através da sua recuperação física, importa dar atenção a outros problemas de assolam o contexto social onde se inserem. Os moradores, em alguns destes sítios, consideram viver em clima de insegurança por aqui se terem estabelecido locais de venda e consumo de droga, atividade em crescimento e cujas medidas de combate são poucas visíveis, com a agravante de terem lugar junto a escolas e infantários.

Esta situação contribui para a falta de higiene nos espaços exteriores, cuja manutenção já deixa muito a desejar, para o barulho e confusão que por vezes se geram, acrescida da presença de cães de raça perigosa para intimidação dos residentes e cuja fiscalização da documentação para circulação em locais públicos, com ou sem açaime, é desconhecida.

Certamente não será verdade que a polícia tenha medo de atuar, conforme afirmam os moradores, mas é evidente que é necessário um trabalho mais profícuo e uma presença mais visível, paralela a um trabalho de assistência social e de formação cívica por parte das entidades responsáveis por estes empreendimentos, a quem cabe a fiscalização e conservação do património público.

Assobiar para o lado e publicar estatísticas, manipular números conforme a interpretação que lhe queremos dar ou compará-los com dados do continente quando dá jeito, não resolve a disseminação do consumo de estupefacientes, a violência e os demais crimes praticados à luz do dia e da noite em espaços residenciais patrocinados pelo dinheiro público. Fazer diagnósticos sem tomar medidas perante as evidências é um mau uso de recursos, independentemente da sua complexidade. Urge reforçar o acompanhamento especializado destes agregados familiares para que se consiga garantir o bem-estar e a paz social onde as crianças possam sair à rua sem medo do seu próprio bairro.

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 15-06-2018

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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