Uma rápida pesquisa online dá-nos a seguinte informação: “Trata-se de um espaço, vedado, arborizado e ajardinado, que dispõe de 300 alvéolos com capacidade para 800 pessoas, com balneários (água fria), sala de TV, internet, bar e eletricidade. Aqui os visitantes podem usufruir de um espaço com ambiente calmo e repousante, próximo de uma praia dourada, banhada por um mar de águas calmas, cristalinas e uma temperatura agradável em qualquer altura do ano. Além das tendas, este espaço tem igualmente capacidade para receber Caravanas e Autocaravanas.” Este é o texto apresentado nos sites visitmadeira e visitportosanto, assim como, no site da Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo (SDPS), que o tutela, onde ainda é possível saber o preço por pessoa e por tenda.

A verdade é que o Parque de Campismo está votado ao abandono e em estado de crescente degradação dos seus equipamentos, encerrado para os turistas que dão com a cara na porta após promoção inválida em diversos sites. Este parque de campismo teve também um papel fundamental no desenvolvimento da economia local, ao contrário do que acontece com grandes unidades hoteleiras, quando optam pelo “all inclusive”.

Respeitar a história, as pessoas e as entidades ligadas ao movimento associativo, ao campismo e ao ecoturismo, está longe das intenções do Governo Regional. Pelo contrário, corre pelas ruas do Porto Santo de que aquele espaço já está reservado para interesses privados.

A resolução do Governo Regional nº 663/2001 afetou à SDPS os direitos de fruição, utilização e administração bem com a concessão a terceiros. Teve a administração direta, apenas com o bar concessionado.

Ora, se um dos objetivos da existência da SDPS é assegurar as melhores práticas de gestão, promovendo a eficiência na aplicação dos recursos disponíveis, a prestação de serviços de qualidade e a conservação dos seus empreendimentos, não se compreende a inexistência de retorno económico dos seus empreendimentos, sendo este um problema transversal a todas as sociedades de desenvolvimento, dependentes quase exclusivamente do financiamento com base no endividamento, em que o retorno dos investimentos realizados é essencialmente social e não financeiro (o que justifica a falência técnica em que se encontram).

O cliente do parque de campismo do Porto Santo não tem o mesmo perfil do cliente da oferta hoteleira. Logo, não pode ver a sua estadia na ilha dourada em vias de extinção, disponível em determinados períodos do ano, sempre os mais caros. Importa apelar à urgente tomada de medidas no sentido de se garantir a reabertura do Parque de Campismo na ilha do Porto Santo, ou, eventualmente, da concretização de uma alternativa da mesma natureza, pois a sua manutenção não exige grande investimento e pode significar vantagens para a economia local, muito afetada pela oscilação financeira caraterística do turismo sazonal.

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 26-01-2018

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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