OS TEMPOS.

Está cada vez mais claro o domínio do económico sobre o político, na perspetiva da defesa da gestão e do interesse públicos. Os tempos político-partidários são outros e, parafraseando Camões “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

A realidade económico-social regional, perante uma conjuntura de ausência de um diferencial fiscal marcante, que dê novo alento às famílias e às empresas, é consequência de anos e anos de esbanjamento de dinheiro.

A educação, a saúde, o desemprego, os transportes, o custo de vida, este último fortemente marcado pela ultraperiferia de um arquipélago que importa a maioria dos seus bens, devem constituir prioridades na ação governativa.

Celebrou-se, este domingo, o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Neste dia os tempos e as vontades também são plurais. Portugal, na sua diversidade, exige transparência, equidade e compromisso aos seus governantes. Mas, acima de tudo, os portugueses exigem que a palavra usada para a promessa, seja a mesma palavra concretizada no compromisso. Nem sempre acontece. A situação mais gritante, na atualidade, está na excessiva promessa aos docentes, no que concerne, por exemplo, à contagem integral do tempo de serviço e às expetativas logradas depois da promessa ter saído da boca do atual Primeiro Ministro.
AS VONTADES.

Existe ao mesmo tempo um misto de vontades, que sinto no contacto diário com os cidadãos. Primeiro, uma vontade de uma mudança estrutural, de pessoas, de perfis, de atitudes perante uma governabilidade regional apática e a intensificar o atrito com a República. Segundo, uma manifesta deceção, porque o prenúncio de uma nova mudança pode ser o mesmo caminho para a manutenção do status quo. Fernando Pessoa, no ensaio sobre “Os Portugueses” advertia que “quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava”. Reticências.

O tempo e a vontade expressam a necessidade de um regulador. Um espaço político, livre, popular, plural, basista, organizado, com linhas e células ativas de intervenção, na defesa do interesse público e na vigia da ação governativa. Não serão precisas “vedetas”, importação de inteligência, apoios económicos, pancadinhas nas costas. Enquanto permanecer claro e evidente a assunção da primeira frase deste artigo, tudo o resto virá por acréscimo.

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 11-06-2018

Élvio Sousa

Élvio Sousa

Líder do Grupo Parlamentar em Juntos pelo Povo
Doutor em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de Lisboa e investigador do CHAM – Centro de História de Aquém e de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; Presidente da Junta de Freguesia de Gaula;
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