A família é sem dúvida um pilar fundamental na educação e no crescimento pessoal de todos nós. Um porto seguro e uma fonte inesgotável de apoio e de valores que nos permitem crescer como cidadão ativo na sociedade.

A família não é apenas lugar de crescimento pessoal, afetos e transmissão de cultura entre gerações, mas sim a nossa primeira comunidade de amor, o nosso lugar de direito, a garantia do princípio do cuidado, da solidariedade, da partilha, da amizade, do companheirismo e do respeito.

Considero-me uma felizarda nesse sentido. Fui criada no seio de uma família onde todos esses valores e princípios foram uma prioridade tanto para mim como para as minhas irmãs e os quais tento passar aos meus filhos.

Um desses valores, a que tanta importância atribuo, é o respeito pelo outro e, consequentemente, o espírito de solidariedade para com quem tem menos do que nós. Independentemente do ponto de vista em que abordarmos o termo “solidariedade”, a sua base será sempre semelhante, ou seja, a solidariedade acontece quando tomamos consciência da interdependência que há entre nós e os nossos semelhantes, resulta das obrigações recíprocas que temos uns com os outros assumindo-se como muito mais do que um envolvimento emocional com a causa, mas pressupondo ações transformadoras de situações menos positivas de outrem.

Dito isto, quis o destino – e não só – que pudesse co-assumir a responsabilidade da Loja Solidária do Caniço, recurso pertencente à Junta de Freguesia local. É nosso objetivo, como elemento fundamental de aplicação de políticas de proteção social, desempenhar um papel fulcral na elaboração e implementação de estratégias de desenvolvimento social integrado e na criação de respostas sociais inovadoras e sustentáveis.

Apostando no envolvimento ativo da comunidade do Caniço, quer através das doações que nos chegam, quer da ajuda voluntária de vários membros da nossa cidade e o envolvimento de parceiros vários, temos conseguido que este projeto “Loja Solidária”, e de uma forma abrangente, apoiar e dar resposta a algumas das necessidades básicas das famílias carenciadas que nos procuram, principalmente a nível de alguns bens essenciais. A “Loja Solidária”, por motivos de espaço e limitações de conservação, incide principalmente e in loco, em ajudas na área da satisfação de alguns cuidados básicos como vestuário e calçado, artigos de puericultura, têxteis de casa – lençóis, cortinas, atoalhados, etc. Apesar disso, recebemos pedidos de apoio para satisfação de outras carências a que muitas vezes conseguimos dar resposta através do apoio social da Junta.

Apostando no envolvimento ativo da comunidade do Caniço, quer através das doações que nos chegam, quer da ajuda voluntária de vários membros da nossa cidade e o envolvimento de parceiros vários, temos conseguido que este projeto “Loja Solidária”, e de uma forma abrangente, apoie e dê resposta a algumas das necessidades básicas das famílias carenciadas…

O trabalho que tem sido desenvolvido com muitos dos parceiros locais, oficiais e privados, e a quem estou profundamente agradecida, tem-nos permitido potenciar a criação de respostas a alguns problemas sociais através da rentabilização dos recursos existentes, da articulação entre redes de apoio que nos ajudam a “filtrar” a injusta e pouco equitativa sobreposição de apoios e ainda, possibilitar um melhor planeamento dos serviços e celeridade de respostas, contribuindo assim para a promoção e integração social do indivíduo, família e comunidade, e estimulando ainda a participação ativa que privilegia o trabalho em rede com os parceiros locais.

A título pessoal, este projeto tem-me permitido crescer como pessoa. Por um lado, fez-me tomar consciência de que a “carência” pode assumir tantas formas e feitios e que muitas vezes, a mesma, se encontra camuflada mesmo sob os nossos olhos! Por outro, tem-me permitido ajudar de forma ativa famílias e instituições que precisam de nós como “mediadores” entre os que procuram e os que oferecem. A minha satisfação pessoal prende-se também ao facto de ter visto crescer notoriamente o número de doações, de colaborações, de parcerias e perceber que, com este projeto, estamos a promover um espírito de solidariedade social e comunitário que se reveste no exercício da cidadania e do bem comum e que tem promovido mudanças positivas na perceção das pessoas. Já dizia Madre Teresa de Calcutá “Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor.”

Deixo o convite a todos os que lerem estas palavras para que nos visitem, para que venham ver com os vossos próprios olhos o espaço que temos e o trabalho que fazemos. Que fiquem atentos à nossa página no Facebook, rede social que nos tem permitido muitas vezes realizar pedidos dirigidos à população e adquirir o que nos é solicitado mas está em falta, mas principalmente, deixo a apelo a que as famílias não se sintam melindradas ou envergonhadas em pedir a nossa ajuda! Todos nós, em algum momento das nossas vidas, já precisamos da ajuda de alguém!

MARIUSKY GONÇALVES DE SPÍNOLA
Docente Especializada/Vogal da JFC

Observação:

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