Começa um novo ano, e com ele, um novo ciclo. Um pouco por toda a Região, mantêm-se os rituais típicos da época, alguns de herança cultural e histórica, outros importados e adaptados à nossa realidade.

E se ainda é possível, de uma forma regressiva e simbólica, assistir a tradições da queima de um boneco feito de trapos e palha, representando o ano velho, queimado na noite de 31 de dezembro, acompanhadas pelos, agora brandos, gritos de “ morte ao velho”, ou dos típicos banhos de mar na noite de passagem como ritual de purificação de corpo e mente, por outro, cada vez mais são aqueles que se encantam com os fogos de artifício, buzinadelas, apitos e gritos de gáudio para receber, em grande o novo ano.

Asseguram-se os ritos de comer as 12 passas às 12 badaladas da passagem de ano, e de manter a nota bem dobradinha na mão ou no bolso, com a esperança de um ano mais próspero e afortunado.

Rituais, tradições e superstições que assentam no mesmo espírito de renovação: “Ano Novo, Vida Nova”.

Portanto, as 12 badaladas fazem-se não somente de foguetes, passas, dinheiro no bolso e cuecas azuis, mas trazem sempre inerente uma vontade de mudança. E são inúmeros os desafios de mudança que se colocam a este novo ano.

O ano de 2017 foi um ano de grandes decisões, comprovadas pela vontade popular de escolher o caminho a seguir e da confiança e expetativas depositadas nos autarcas, exigindo uma resposta aos seus anseios e necessidades.

Mas também foi um ano que começou a extrapolar os inúmeros cenários para 2019, desfocando, inclusive, o tabuleiro político dos problemas atuais da Região, os quais necessitam de resolução premente, já para 2018 (e não para os fogos de artifício com fins eleitoralistas).

Ora vejamos: em termos de reforço da mobilidade, foram muitas as promessas por cumprir que serão arrastadas para um novo ano. Mantém-se a incerteza da ligação marítima com o continente e a incerteza da possibilidade de uma melhor solução para o preço das viagens aéreas. O desemprego mantém-se acima da média nacional. A reestruturação do setor da Saúde, outra “renovação” que ficou aquém das expetativas, continua a ostentar crescentes listas de espera, às quais somam-se as deficiências nas estruturas físicas hospitalares, a falta de disponibilidade de equipamentos e material médico, medicamentos e a crescente carência de recursos humanos.

Continuam os jogos políticos em torno de um hospital que teima em não sair do papel, com acusações mútuas e disputa partidária entre Governo Regional e Governo da República.

Que o novo ano traga a esperança e a coragem de querermos mais e melhor, uma sociedade mais vigilante, que exija uma postura mais responsável, ativa, fundamentada e dedicada que consiga dar resposta às nossas necessidades. Uma sociedade que imponha o cumprimento dos compromissos propalados e das eternas juras de honestidade em tempo eleitoral.

Dito isto, e como manda a tradição, votos de um bom ano, com as melhores entradas.

*Artigo de opinião publicado no JM / 01-01-2018

 

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