O sangue é um bem valioso e indispensável. Neste sentido, qualquer medida para valorizar o dador de sangue será sempre pequena perante o ato voluntário, do mais puro exemplo de cidadania e solidariedade e cujo objetivo final é, indiscutivelmente, louvável. Enquanto produto sensível e biológico requer cuidados redobrados, com especial atenção à seleção de dadores, assegurando a qualidade das reservas dos componentes sanguíneos.

Cabe ao governo divulgar, promover e incentivar junto da população a dádiva de sangue e organizar a sua recolha, tratamento e gestão atempadamente, assegurando a autossuficiência na medicina transfusional da região, de acordo com as boas práticas do país e da Europa, demonstrando respeito por quem, de forma generosa e altruísta, se prontifica para o oferecer.

O quadro de benefícios e incentivos à dádiva de sangue, por mais inovador que o queiramos tornar, será sempre insuficiente. Recordo, por exemplo, o seguro do dador de sangue que é obrigatório para dadores e candidatos a dadores, cobrindo as complicações de saúde relacionadas com a dádiva de sangue. Este deverá prever a cobertura dos acidentes ocorridos no local da colheita e no trajeto de ida e de regresso. A contratação do seguro cabe às entidades que gerem a dádiva e a colheita de sangue. Resta saber se o SESARAM que não tem seguro para os seus funcionários, o terá para os dadores de sangue?

O regime jurídico do dador de sangue do Serviço Regional de Saúde prevê, entre outros tantos, o direito a dois dias de descanso, criado numa altura em que foi entendido que esse estímulo era importante para garantir a autossuficiência de sangue do serviço de saúde, embora muitos dadores não usem esse privilégio. Por outro lado, se recordarmos a última e esporádica vez em os níveis de reserva baixaram acentuadamente, não foi necessário qualquer incentivo para que os dadores acorressem aos serviços após o apelo da tutela. Os madeirenses não olharam a privilégios quando foi necessário atuar, sabendo muitos deles de antemão que não iriam usufruir do benefício devido ao curto espaço de tempo entre a solicitação e a doação, inviabilizando a autorização da entidade patronal para o gozo dos respetivos dias de descanso.

Não obstante e caso se torne mais frequente as ruturas, a Associação de Dadores de Sangue da Madeira, criada com vista à autossuficiência do Banco de Sangue, é responsável por fazer campanhas de recolha no momento em que o Serviço necessitar. Embora ainda não esteja a funcionar a 100%, o seu objetivo é assegurar que não existam excessos ou faltas.

Os cerca de 3000 dadores regionais que contribuem com a sua oferta de sangue, garantindo a qualidade da medicina transfusional a todos os utentes do Sistema Regional de Saúde, merecem um respeitoso reconhecimento pela prática do bem, literalmente sem olhar a quem.

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 08-06-2018

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
Patrícia Spínola

Latest posts by Patrícia Spínola (see all)

Observação:

– A responsabilidade das opiniões emitidas nos artigos de opinião são, única e exclusivamente, dos autores dos mesmos, pois a defesa da pluralidade de ideias e opiniões são a base deste espaço criado no site;
– Os posicionamentos ideológicos e políticos do JPP não se encontram refletidos, necessariamente, nos artigos de opinião contemplados nesse mesmo espaço de opinião.

Artigos Relacionados

Pin It on Pinterest

Share This