Os últimos dias foram pródigos na baixa política. Isto, num tempo, em que a abstenção atinge elevadas percentagens e, por conseguinte, importa concentrar esforços no sentido da credibilização da actividade política.

Há que entender que as redes sociais e o acesso fácil à informação possibilitam, quase a quente, reacções com implicações nos actos de cidadania, em particular, nas eleições. Muitos cidadãos já não precisam de comícios, reuniões ou panfletos para formarem a sua opinião. Vão lendo, aqui e acolá, e tirando as suas conclusões. É o livre-arbítrio a agir. Importa, por isso, seriedade e coerência no cenário político.

Vai o presidente da Câmara do Funchal à capital conversar com o Primeiro-Ministro, anunciando na imprensa que esse encontro será decisivo para a resolução dos problemas da Região. Que os dois conversem como amigos, nada temos a ver com isso. Agora que o edil funchalense se apresente como o porta-voz da RAM, alto lá e pare o baile. O tempo dos procuradores da Câmara do Funchal na Corte terminou há muito. Isso acontecia no Antigo Regime.

Contudo, o prometido soco na mesa, como se assim se resolvessem assuntos sérios, resultou em nada de novo.

Desde o trágico acidente do Monte, no passado Verão, o percurso do presidente da Câmara do Funchal tem sido marcado por intervenções menos felizes, provavelmente pela má influência dos que o aconselham na política. Precisa de ouvir gente mais ajuizada e com consciência autonómica. A continuar neste rumo, poderá desbaratar todo o crédito, que acalentou como alternativa ao poder instituído.

Para acentuar o descrédito, viemos a saber, através do Expresso, que alguns deputados insulares na Assembleia da República receberam reembolsos de viagens, que não foram custeadas com verbas do seu bolso. Logo, uma aberração moral e ética. Quatro deputados da Madeira admitiram a prática do reembolso. Uma deputada afirmou nunca ter recebido. A outra remeteu-se ao silêncio, pensando assim passar imaculada no meio do burburinho, esquecendo que o povo diz que «quem cala, consente». Faltou ainda saber se a deputada que, por determinado período, substituiu Carlos Pereira também tratou dos indevidos reembolsos numa qualquer estação dos CTT.

Perante tão grave denúncia, esperava-se que os deputados explicassem a sua conduta ou pedissem desculpa do seu comportamento imoral. Mas não! Remeteram-se ao silêncio, interrompido por um ou outro comentário de virgem ofendida, na cronologia de amigos e apaniguados no Facebook.

Urge credibilizar a política, para bem de todos nós.

NELSON VERÍSSIMO
Professor – Universidade da Madeira

*Artigo de opinião publicado no Funchal Notícias – Madeira / 15-04-2018

 

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