São várias as denúncias que nos chegam de profissionais que trabalham nesta Rede de Cuidados Continuados, nomeadamente no edifício do Atalaia Living Care, cidade do Caniço, no que se refere à falta de recursos humanos para correta prestação de serviços.

Segundo o que os operacionais têm testemunhado, o Atalaia é um bom espaço para trabalhar, assim como é um lugar recomendado para receber os idosos. Porém, tem poucos profissionais para prestarem um serviço minimamente digno aos utentes. Falamos concretamente, no turno da manhã, de um enfermeiro e um auxiliar para dar banho a dezoito pessoas e ainda o mesmo número para acompanhar os trinta e três utentes nos turnos da tarde e da noite.

Perante esta situação, é certo que os utentes não recebem a medicação ou as refeições a horas, por ser humanamente impossível, principalmente para os que estão dependentes de ajuda para essas rotinas, entre outras necessidades diárias, nem é feita a profunda limpeza dos espaços.

Há auxiliares com 40 dias de descanso em atraso, relativos a feriados e tolerâncias, que se acumularam nos últimos anos. Muitos outros são duplamente explorados pois estão a fazer estágios profissionais ou a trabalhar a recibo verde, com as limitações reivindicativas que essas situações impõem.

Paralelamente a isto, soma-se trabalho extraordinário permanente e níveis de exaustão acentuados em todas as classes profissionais que aqui prestam serviço, cenário que se repete em outros serviços do SESARAM, claramente fruto de uma má gestão. As camas, por exemplo, são inadequadas para lidar com pessoas acamadas, sendo muito baixas e sem mecanismos de elevação, num atentado diário à saúde de quem trabalha com estes utentes.

Nestas condições, como pode o Governo Regional alegar que a Saúde é uma matéria prioritária na sua governação? Com que autoridade moral pode o mesmo afirmar que está disposto a dar apoio técnico e fiscalizar a abertura de novas unidades de saúde se nem ele próprio é capaz de governar a sua casa?

Os cuidados paliativos ou continuados são um serviço imprescindível para a população, com reconhecido agradecimento público às equipas que os prestam, sendo um serviço que dignifica a vida humana. Contudo, importa rapidamente dar respostas às questões que ecoam diariamente junto das famílias e dos profissionais. Para quando a divulgação das listas de espera para este e outros serviços? Para quando o surgimento de novas instalações para o mesmo fim, dando resposta às centenas de altas problemáticas que proliferam em todos os concelhos? Quando é que o Governo Regional vai auscultar os enfermeiros e auxiliares que diariamente dão banho e refeições, e fazem a limpeza dos espaços? Para quando o reforço urgente de todos os grupos profissionais que trabalham na Saúde com vista a dar dignidade ao utente, em conformidade com as promessas que este governo fez ao seu povo? Afinal, vai continuar calado?!

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 27-10-2017

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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