Jornalismo
Nicolau Santos escreveu no Expresso de 26 de agosto: “deixamos de fazer jornalismo e passamos a produtores de conteúdos”. Há notoriamente uma grande viragem na conjuntura dos media nos últimos dez anos, com esvaziamento das redações, a subalternização da vertente de especialização que muitos profissionais procuraram investir, verificando-se que as exigências financeiras se sobrepuseram ao jornalismo de investigação e às reportagens de fundo. Tudo se resume, atualmente, salvo raras exceções, ao seguinte: “As famílias que desde sempre estiveram ligadas ao setor foram substituídas pouco a pouco por investidores nacionais e estrangeiros que olham para a comunicação social não como um negócio, cujo produto essencial é o grande jornalismo, mas como um instrumento de influência sobre o poder politico para ganhar vantagem noutras áreas onde detêm interesses” (citando, novamente Nicolau Santos).

Orçamentos ou contas
Foi notícia na semana passada os valores orçamentados palas forças políticas no que concerne às eleições autárquicas. Acho muito bem que se o faça, em prol da transparência e da informação. Agora, julgo ser interessante fazer uma distinção – e suponho que quem escreve partilha desse conhecimento – entre uma previsão orçamental e uma conta de gerência, por exemplo. As previsões orçamentais no espírito da lei do financiamento dos partidos e de campanhas são, se tivermos um pouco de tempo para uma consulta ao site do Tribunal Constitucional, meramente especulativas. Comparemos os orçamentos apresentados com as contas finais. Uma grande dispersão.

Transparência também
Diz-se, na gíria popular, que os olhos são inúteis quando a mente é cega. Nesta linha de visão transparente e de ampla difusão de orçamentos e contas, ficaria muito feliz e naturalmente que a população atenta agradeceria o gesto de boas práticas, se os órgãos de comunicação privados divulgassem, anualmente, os valores recebidos de publicidade institucional (seja dos departamentos de governo e/ou de municípios). Tratando-se de dinheiros públicos, a transparência seria duplamente premiada.

Ainda o Caniço
Causou muita celeuma – e ainda bem pelo tiro certeiro de visga verde – ter reafirmado que uma fação do PS regional esteve na origem da anterior desestabilização da autarquia canicense. E continuarei a reafirmar, porque os factos são indesmentíveis, e agora da maior transparência física e humana. Existem muitos candidatos que amadureceram e mudaram de cor, da noite para o dia. Nada contra. Pena, que, é preciso tempo para refletir, dirigir e comunicar, sem o fazer de ânimo pesado. Boa sorte a todos: a democracia já ganhou.

Élvio Sousa

Élvio Sousa

Líder do Grupo Parlamentar em Juntos pelo Povo
Doutor em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de Lisboa e investigador do CHAM – Centro de História de Aquém e de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; Presidente da Junta de Freguesia de Gaula;
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