Da ansiedade e do euforismo

A conjuntura político-partidária regional acompanha um momento interessante. Temos, por um lado, um governo regional mais apressado em recuperar a credibilidade; um governo que pressiona, vigia e deseja controlar as liberdades individuais (nomeadamente, a dos seus funcionários); um executivo mais ansioso e mais ‘tagareleiro’.

Em tempos atrás, a afirmação do tenente-coronel Paulo Dias de Almeida, na sua Descrição da Ilha da Madeira, em 1817, ainda podia fazer sentido (“o povo vota sempre neles mais por medo, que por desejo de ser governado por eles”). Na atualidade, o medo tornou-se quase “sinónimo” de querer mudar a situação atual.

Mas também é notório que, do outro lado da barricada, persistem reações eufóricas, antecipadas, pré-anúncios de vitórias. Vivemos um misto de antecipação e de aceleramento.

Os nervos estão à flor da pele. As reações não se limitam à classe político-partidária. Atingem as redações, as associações, os conselhos de administração do setor empresarial público e privado, sobretudo quando estão, anualmente, à volta de mil e seiscentos mil milhões de euros para receber e para gastar. Mas é preciso debitar os mais de 600 milhões para o serviço da dívida.

Curiosamente, e com os novos posicionamentos dos setores económicos que, agora, se colocaram visivelmente ao lado da ‘partidarite’, as reações sobre a atualidade surgem duplamente pigmentadas: ora surgem comunicados de partidos (o meu se inclui inevitavelmente), ora vêm comunicados do mundo empresarial. As ansiedades são partilhadas.

Dos motivos operacionais e das consequências para a economia

Se existem atrofias à insularidade, e tudo aquilo que ela representa na evolução do sistema autonómico – a geografia, o isolamento, a ultraperificidade, a geopolítica, a escala, os custos, etc – o recente comportamento da TAP em relação aos passageiros é uma ação de lesa-cidadania e de lesa-economia.

Não quero crer que – sendo maioritariamente estatal e a engordar à custa do novo subsídio de mobilidade (que as frentes sociais-democratas, agora, pretendem fazer olvidar a sua inteira autoria e responsabilidade) -, seja uma ação deliberada e intencional. Não padeço, por enquanto, dessa tendência, sem prova, de perseguição republicana.

Agora, que a situação está a ultrapassar os limites do bom senso e do respeito pelos direitos dos cidadãos e dos passageiros, com um quase-silêncio cúmplice das cúpulas dirigentes, está sim senhor.

Mais grave, e como se já não bastasse os constrangimentos do vento de leste, reside no setor hoteleiro. Pedida que está, há pelo menos dois meses, uma audiência ao senhor Presidente da República, sobre esta e outras problemáticas da mobilidade, a resposta vem tardando…

*Artigo de opinião publicado no Diário de Notícias / 11-07-2018

Élvio Sousa

Élvio Sousa

Líder do Grupo Parlamentar em Juntos pelo Povo
Doutor em História Regional e Local pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa de Lisboa e investigador do CHAM – Centro de História de Aquém e de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa; Presidente da Junta de Freguesia de Gaula;
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