A Autonomia tem sido para os madeirenses uma verdadeira batalha dos últimos 40 anos: pela democracia, liberdade, livre expressão e opinião. A luta pela verdadeira Autonomia, mesmo distante dos tempos “quentes” das “revoluções”, ainda não acabou. A Autonomia só será verdadeira quando os madeirenses dispuserem de meios para executarem eficazmente a autonomia política-administrativa.

Essa oportunidade autonómica foi, em parte, perdida, devido à má gestão dos dinheiros públicos pelos sucessivos governos do PSD, que foram, indiscutivelmente eleitos democraticamente pelo povo madeirense, mas não corresponderam aos interesses da região, porque foram comandados e geridos por interesses e lobbies. Os governos do PSD foram defraudando o sonho do povo madeirense de viver em melhores condições, com acesso a um verdadeiro e eficaz sistema de saúde, de educação, de cultura, de justiça…

Temos de entender que AUTONOMIA não pode ser uma simples palavra, nem uma palavra vã … É, para além do ponto de vista legal, uma forma de sermos, de estarmos, de exigirmos, de criarmos a nossa própria riqueza sem depender financeiramente e estruturalmente do exterior, evitando a todo o custo vivermos de esmola de terceiros, de estarmos reféns de terceiros e muito menos reféns de nós próprios ou de algum grupo ou grupos que se arvoram únicos e verdadeiros defensores da Autonomia. Não nos iludamos…

Nos últimos 40 anos os madeirenses foram reféns de um partido, o PSD, que se arvorou em único e exclusivo defensor da Autonomia. E essa deveria ter sido a sua função, pois o povo assim o exigia. Mas não foi. E o PSD sempre arranjou formas de ostracizar os outros partidos ou outras opiniões políticas, políticas-partidárias e partidárias. Em vez de liberdade houve, muitas vezes, escuridão.

Falar de Autonomia é falar de economia, finanças, fiscalidade, saúde, cultura, educação, bem-estar, justiça, inclusão social. É o zelar pelo bem-estar de toda a população.
Em democracia a Autonomia é criada e cimentada por uma região, pelo seu povo, e não por um qualquer partido ou grupo de partidos. A Autonomia, para ser verdadeira, tem de ser participativa.
A Autonomia é responsabilidade, credibilidade, capacidade de reconhecer os erros, apresentar alternativas e aceitar, democraticamente, opiniões divergentes.
Em 2011 os madeirenses viram o maior ataque à Autonomia, porque a situação de descalabro financeiro e bancarrota eminente levou à assinatura de um documento, com o Estado, do qual resultou que entre 2011 e 2015 o povo deixasse de ser o verdadeiro condutor da Autonomia.

O PSD é responsável pelo “buraco” financeiro que levou a um aumento desenfreado de impostos, de desemprego, de emprego precário, ao encerramento de empresas, à falta de condições para o bom desenvolvimento do sistema de saúde, etc. … Situação gravosa como nunca se tinha visto na Região depois do 25 de Abril.
Mas o PSD é um péssimo aluno …. Não aprende com o passado e já se prepara para novos voos de irresponsabilidade: o betão nas ribeiras é um bom exemplo disso a que se alia o Cais 8, onde nenhum navio acosta.

Caminhamos de novo para outro atropelo à Autonomia com os mesmos autores, o PSD.
Aquele que se arvora em ser o obreiro da Autonomia também pode ser considerado o cangalheiro da Autonomia.
À classe política, e especialmente ao PSD, os madeirenses devem exigir RESPONSABILIDADE …. Sem responsabilidade a Autonomia, a verdadeira Autonomia, cairá como um baralho de cartas…

ORLANDO FERNANDES
Gestor Financeiro

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