“Agora que se aproximam os dias festivos? Oh minha menina…o hospital agora é a sua nova casa”

Sem mais nada. Sem justificações. Porque não dá jeito. Porque não interessa. Porque já não são “válidos”. Apenas porque sim.

O abandono dos idosos nos hospitais é um problema real e, infelizmente, em crescimento em todo o País. Há quem não goste de falar das “altas problemáticas” porque não consideram esta situação um problema… Que nome se poderá dar, então, aos mais de 500 idosos com alta clínica no hospital da nossa Região, mas que lá continuam porque não têm autonomia ou não têm uma rede de suporte? Como se explica a uma Pessoa que, após uma Vida, quando já numa fase de fragilidade física (e emocional, muitas vezes) não pode regressar à sua casa?

E em termos institucionais, que consequências tem esta situação para a qualidade da prestação de cuidados de saúde aos outros utentes? Que riscos comporta para a saúde de quem se torna residente permanente deste espaço?

Mas, acima de tudo, questiono: que tipo de cidadãos somos nós? (e por consequência, que sociedade estamos nós a reconstruir?).

Esta é uma problemática onde todos somos responsáveis: enquanto familiares, vizinhos, governantes, profissionais de saúde, Seres Humanos.

As altas problemáticas são, sim, um problema e têm de ser resolvidas. A concertação entre a Secretaria Regional da Saúde e a Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais da Região Autónoma da Madeira é uma emergência! A elaboração de um Plano de Intervenção junto da Pessoa Idosa, que integre TODA a comunidade é fundamental. A (re) educação de valores e princípios fundamentais, a penalização do abandono, a ativação de uma REDE que promova a proximidade e a responsabilização são medidas que têm de ser efetivadas. E para ontem!

65 Anos? Quem não os tem para lá caminha…

LINA PEREIRA
Assistente Social

 

Observação:

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