Foram muitos os assuntos que dominaram a vida social da Madeira e Porto Santo no ano transato, muitos deles extensivos ao continente português, não fosse o princípio da continuidade territorial uma reivindicação diária da nossa população. Cabe-nos também a nós, povo, colocar os pés na terra e arrumar os sonhos em gavetas para que estes se tornem mais claros e se estabeleçam prioridades nas diferentes lutas que ainda vão na primeira volta ou, somando várias batalhas, ainda estão longe de terminar. A nossa memória, assim como a nossa voz, devem manter-se em paralelo na participação cívica de acompanhamento da concretização da palavra dada que, tal como a pedra (a ser) lançada, não deverá dar passo atrás.

O Governo Regional, no exercício da sua responsabilidade, comprometeu-se a dar início à obra do novo Hospital da Madeira. Diz ter projeto, diz ter tudo encaminhado. Ainda não tem as terras, mas isso parece ser algo menor pois, se olharmos a obras concretizadas há décadas, como a Via Rápida, depressa descobrimos expropriações para pagar (sim, estamos a circular em terrenos privados!). O Hospital deverá ainda ser público, sem negociatas com o nome de Parcerias Público Privadas, para alimentar amigos e levar a Madeira novamente à bancarrota, e a quem, para mudar um parafuso, seria preciso pedir licença. Não nos esqueçamos dos hospitais privados que crescem numa média nacional por habitante nunca vista, e a quem a Saúde Pública planeia comprar serviços a rodos, mais não seja porque não se distinguem os profissionais que trabalham tanto de um lado como do outro, a não ser na fatura.

Deixámos de ser ilhéus. Somos cidadãos do Mundo. Como tal, sair da região com facilidade e sem grandes constrangimentos deveria ser tarefa de fácil resolução. Ir estudar e regressar a casa como os restantes colegas de turma, deveria ser normal mas não é. Antes é preciso mendigar por tarifas acessíveis, é preciso exigir mediação entre governos e empresas de transporte aéreo, é preciso ouvir um funcionário arrotar arrogância e desdém do alto do seu ordenado numa empresa pública, é preciso receber a esmola de um avião fretado ao dobro do custo da aquisição dos bilhetes de executivo em voo normal.

No trabalho, este ano, não bastará a pancadinha nas costas a dizer que os recursos humanos são a alma do serviço. Que seria da Saúde, da Educação, da Proteção Civil, sem estes Homens! O respeito vê-se nos atos e não nas palavras. Deem-lhes meios, remuneração justa, horários adequados e operarão maravilhas, não as possíveis, mas as necessárias, consagradas na Constituição Portuguesa!

Para nos acompanhar em tudo isto temos a classe política que, também ela, precisa de arrumar as prioridades e afinar ponteiros. Não daqueles que dão a volta e chegam ao mesmo lugar, como se vê atualmente em alguns tradicionais conflitos internos, mas ponteiros com um objetivo superior ao culto da personalidade, aquele desconhecido de muitos que se entende por justiça social ou bem comum.

*Artigo de opinião publicado no Tribuna da Madeira / 05-01-2018

Patrícia Spínola

Patrícia Spínola

Deputada Parlamentar em Juntos pelo Povo
Professora licenciada em Ciências da Educação – 1º Ciclo do Ensino Básico pela Universidade da Madeira; Pós-Graduada em Habilidades Sociais e Competências Profissionais para a Gestão em Organizações Públicas e Privadas pela Universidade de Cádiz; Mestranda em Ciências de Educação – Supervisão Pedagógica, na Universidade da Madeira; Deputada Municipal no concelho de Santa Cruz; Membro da Comissão Alargada da CPCJ-Santa Cruz.
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